Enquanto palestinos passam fome, integrantes do governo de Israel fazem planos para anexar enclave, expulsar população local e faturar com turismo e consumo de luxo
Muhammad Zakariya Ayyoub al-Matouq tem um ano e meio e pesa
apenas seis quilos. É uma das centenas de milhares de crianças que sofrem de
desnutrição em Gaza. Em pele e osso, o menino foi fotografado no colo da mãe
num campo de refugiados. O retrato correu o mundo como novo símbolo da fome no
enclave controlado por Israel.
Na quarta-feira, 115 organizações de ajuda humanitária
divulgaram um apelo
por socorro. O texto descreve um cenário de “caos, fome e morte” e pede o
fim dos bloqueios militares que restringem a entrada de águia, comida e
medicamentos. “Enquanto o cerco do governo israelense mata de fome a população
de Gaza, os trabalhadores humanitários agora se juntam às mesmas filas de
alimentos”, afirma.
Questionado sobre o documento, o gabinete de Benjamin
Netanyahu voltou a se eximir de responsabilidade. “Hoje não existe fome causada
por Israel em Gaza”, declarou o porta-voz David Mencer.
A ofensiva militar começou como represália
aos ataques terroristas do Hamas que mataram 1.200 israelenses em 2023. Em um
ano e nove meses, as tropas de Netanyahu mataram quase 60.000 palestinos — 50
para cada vítima dos atentados de 7 de outubro — e não cumpriram a promessa de
libertar todos os reféns. Agora aliados do premiê fazem planos para varrer a
população de Gaza e lucrar com a terra arrasada.
Na terça, representantes do governo israelense foram ao
Parlamento discutir um projeto para anexar a região, expulsar os palestinos e
erguer novas cidades dedicadas ao turismo e ao consumo de luxo. O encontro “A
Riviera em Gaza: da ideia à realidade” reuniu autoridades como o ministro das
Finanças, Bezalel Smotrich. O jornal britânico The Guardian revelou trechos do plano, que trata a ocupação como “direito
histórico” e promete turbinar a economia de Israel.
A limpeza étnica nunca pareceu um negócio tão lucrativo.
Empolgada, a ministra da Ciência e Tecnologia, Gila Gamliel, divulgou um vídeo
feito com inteligência artificial em que os escombros de Gaza dão lugar a
arranha-céus espelhados, ao estilo Balneário Camboriú. Na simulação, uma torre
à beira-mar exibe o nome de Trump em letras douradas. Faltou explicar se o
presidente dos EUA seria só homenageado ou também levaria a sua parte.

Nenhum comentário:
Postar um comentário