Alcolumbre e Lira defendem impedir partidos pequenos de
recorrerem à Justiça
Davi
Alcolumbre quer limitar o direito de partidos políticos recorrerem à
Justiça contra decisões do Congresso. O presidente do Senado reclamou que hoje
“todo mundo” pode propor ações ao Supremo, o que precisaria ser alterado “com
urgência”. “Esse é um problema seriíssimo”, sentenciou.
A ideia de Alcolumbre não é boa nem nova. Já havia sido
defendida pelo deputado Arthur Lira.
Ontem o ex-chefão da Câmara disse que é preciso “subir o sarrafo” dos partidos
aptos a questionar o Supremo. Ele participa do chamado “Gilmarpalooza”, evento
em que políticos e magistrados brasileiros discutem temas brasileiros em
Lisboa.
A ofensiva do Centrão tem endereço certo. O bloco que manda
no Congresso quer impedir que partidos pequenos, como PSOL, Rede e Novo, entrem
com ações no Supremo. De quebra, quer restringir os poderes da Corte para
invalidar leis aprovadas pelos parlamentares, mesmo que elas violem a
Constituição.
Não é coincidência que Alcolumbre tenha
levantado o assunto dias depois de o PSOL acionar a Justiça contra a derrubada
do decreto do IOF. A sigla foi ao Supremo antes que o governo decidisse
recorrer por meio da Advocacia-Geral da União.
“Temos um sistema político que não leva a Constituição muito
a sério”, critica o jurista Daniel Sarmento, professor de Direito
Constitucional da Uerj. “Muitas vezes, os partidos pequenos são os únicos que
representam segmentos sociais minoritários, como os indígenas e a população de
rua. Suas ações são importantes para defender minorias diante do arbítrio e do
atropelo das maiorias”, explica.
Os parlamentares têm razão quando dizem que o Supremo não
deveria ser acionado a toda hora para arbitrar disputas políticas. Mas o que
move o Centrão não é a preocupação com a sobrecarga de trabalho dos ministros,
e sim o desejo de se livrar do controle constitucional exercido pela Corte.
No governo passado, ações de partidos pequenos levaram o
Supremo a impedir que Jair
Bolsonaro triturasse o Estatuto do Desarmamento, negasse água potável
a indígenas e impedisse estados e municípios de adotarem medidas contra a
pandemia. Se o sarrafo do Centrão estivesse em vigor, o estrago teria sido
ainda maior.

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