Marcelo Beraba, jornalista e um dos fundadores da Abraji,
morre no Rio aos 74 anos
Beraba foi diretor do Grupo Estado em Brasília. Trabalhou
também na TV Globo, jornal O Globo, no Jornal do Brasil e na Folha de S.Paulo,
onde exerceu, entre outras, a função de ombudsman.
Um dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalismo
Investigativo (Abraji), o jornalista Marcelo Beraba morreu na tarde desta
segunda-feira (28), aos 74 anos.
Ele estava internado no Hospital Copa D'Or, em Copacabana,
Zona Sul do Rio. Beraba descobriu um câncer no cérebro em março e chegou a
passar por uma operação.
Marcelo Beraba foi diretor do Grupo Estado em Brasília.
Trabalhou também na TV Globo, no jornal O Globo, no Jornal do Brasil e na Folha
de S.Paulo, onde exerceu, entre outras, a função de ombudsman.
Beraba foi o primeiro presidente da Abraji. Recebeu em 2005
o Prêmio Excelência em Jornalismo do ICFJ (International Center for
Journalists).
Colegas lamentam morte
Na tarde desta segunda, a Abraji publicou depoimentos de
colegas de vários países sobre Beraba, que exaltaram características como a
capacidade de liderança e defesa dos valores jornalísticos.
"Beraba fazia a diferença; eu, que perdi meu pai
biológico recentemente, sinto essa dor novamente da perda do meu pai no
jornalismo. Os valores que aprendi com ele ficam pra sempre e tenho orgulho dos
anos que vivemos juntos. Muitos ele chamava de “mestre” e esse era também um
dos jeitos carinhosos que os colegas o chamavam. Pra mim, sempre foi mais que
um mestre. Era um pai. Fica com Deus, Beraba", escreveu Marcelo Moreira,
jornalista e ex-presidente da Abraji.
"Sem Beraba não haveria Abraji. Sem Beraba, a Abraji
não teria crescido e se consolidado como uma das maiores organizações de
jornalismo investigativo do mundo, indo muito além do que seus fundadores
imaginavam naquele dezembro de 2002. Uma das maiores dificuldades na criação de
organizações similares na América Latina foi a falta de um Beraba em cada país.
Líderes como ele são raros na criação, no desenvolvimento e na estabilização de
associações de jornalistas. Seu estilo de liderança, baseado sobretudo no
diálogo sincero, na transparência, na paciência para escutar e na habilidade de
encontrar pontos comuns e conciliação no meio de divergências que pareciam
irreconciliáveis", disse Rosental Calmon Alves, diretor do Centro Knight
para o Jornalismo nas Américas.
"O falecimento de Marcelo Beraba é profundamente triste
para o IPYS e para a comunidade da Conferência Latino-Americana de Jornalismo
Investigativo (COLPIN). Ele foi um dos fundadores da COLPIN e do Prêmio
Latino-Americano, onde atuou como jurado por mais de dez anos. Seu papel foi
decisivo na relação entre jornalistas brasileiros e latino-americanos,
inexistente há duas décadas", escreveu Ricardo Uceda, diretor do IPYS
(Instituto Prensa y Sociedad - Peru).
"Considerando sua importância na fundação da ABRAJI e
sua liderança internacional como defensor do leitor, perdemos uma figura
fundamental. Um dos nossos pais. O IPYS perdeu um amigo e colaborador
excepcional. Além de tudo isso, Marcelo sempre representou para nós uma
referência de valores jornalísticos. Ele foi um paradigma do jornalista
íntegro. Embora sua ausência deixe um enorme vazio, seu exemplo e a memória de
sua generosidade serão inesquecíveis", acrescentou.
"Marcelo Beraba há muito tempo se convenceu de que
jornalismo é melhor em equipe. Percebeu também que, para trabalhar como um time
que joga unido, é preciso ter método: um conjunto de regras e princípios sobre
os quais todos concordam e se baseiam para exercer suas funções. Agiu
persistentemente para concretizar essa ideia. E conseguiu. Beraba melhorou o
jornalismo no Brasil", escreveu José Roberto de Toledo, ex-presidente da
Abraji, apresentador de A Hora e UOL Prime podcast.

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