Eliana Pittman chega aos 80 anos com as flores em vida e
com biografia, doc e álbum ao vivo de tom jazzístico à vista
♬ É
possível arriscar e sentenciar que Eliana Pittman chega hoje aos 80 anos sem
lágrima nem dor nesse exato momento da trajetória artística que a cantora
repassa a limpo em biografia ainda inédita escrita por Daniel Saraiva. Nascida
em 14 de agosto de 1945, a carioca Eliana Leite da Silva vive instante especial
na carreira de altos e baixos por conta da edição em março do álbum
em que dá voz ao repertório de Jorge Aragão com produção musical de Rodrigo
Campos.
Com esse disco, a filha do clarinetista e saxofonista
norte-americano Booker Pittman (1909 – 1969) – o padrasto que a ninou no berço
do jazz – começou a receber as flores em vida. Vida singular que será tema de
documentário de Emílio Domingos e Felipe David Rodrigues ainda em fase inicial
de produção.
O álbum Nem
lágrima nem dor (2025) representa de fato um ponto luminoso em
discografia que perdeu impulso a partir do fim dos anos 1970, década em que a
cantora seduziu o Brasil com a voz, o suingue e a energia com que cantou sambas
e carimbós (estes mais por imposição da gravadora RCA). Basta dizer que Eliana
Pittman não lançou disco ao longo da década de 1980.
Depois, gravou discos de forma tão espaçada que dez anos
separam o álbum com que a cantora tentou retomar o fluxo fonográfico em
1992, Sentimento de Brasil, do disco posterior Minhas
novas influências, editado em 2002. E mais 17 anos se passaram até que
a cantora lançasse em 2019 um outro álbum, Hoje,
ontem, e sempre, primeiro dos discos feitos por Eliana sob a ótica
empresarial do produtor Thiago Marques Luiz.
Com Thiago, a cantora enfim retomou o fluxo de lançamentos
fonográficos e shows nestes correntes anos 2020. Fez show de sambalanço com
Doris Monteiro (1934 – 2023) e Claudette Soares em 2019 e 2020. Na sequência, a
partir de 2022, se juntou a Alaíde Costa e a Zezé Motta no show Pérolas
negras. Ambos os shows viraram discos.
Além do festejado álbum
em tributo a Jorge Aragão, Eliana Pittman tem pronto um disco ao
vivo, gravado em São Paulo (SP) em 20 de novembro de 2024 em show com a SP Pops
Symphonic Band. O show se chama She's wonderful, título
inspirado pelo tema de jazz ’S wonderful (George Gershwin e
Ira Gershwin, 1927). O lançamento desse disco jazzístico está programado para
20 de novembro.
Nesse show de repertório poliglota, moldado para uma
intérprete que sempre em cantou em inglês com desenvoltura desde o início da
carreira em 1961, Eliana vai de standards da canção norte-americana ao
bolero Esta tarde vi llover (Armando Manzanero, 1961),
passando, claro, pelo samba, gênero dominante na fase áurea da discografia da
artista, em que pese o sucesso da incursão pelo território nortista com a
gravação de carimbós.
Foi afinal com um samba, Das 200 para lá,
composição do então desconhecido bamba João Nogueira (1941 – 2000), que a
cantora conquistou o Brasil em 1971, dez anos após iniciar a carreira
fonográfica com o álbum Eliana e Booker Pittman (1961).
O suprassumo da obra fonográfica de Eliana Pittman reside nos anos 1970.
Os álbuns Eliana Pittman (1971), Eliana
Pittman (1972), Tô chegando, já cheguei (1974)
– disco radiante do carimbó Sinhá Pureza (Pinduca) e de Abandono,
canção de Ivor Lancellotti que ficaria famosa na voz de Roberto Carlos em 1979
– e Pra sempre (1976) são boas amostras do talento
dessa cantora de voz vivaz que sobreviveu aos caprichos do mercado da música e
pagou preço alto por ter se recusado a personificar a Donna Summer (1948 –
2012) brasileira, como queriam executivos da gravadora RCA no auge da disco
music.
Enfim, certamente houve lágrimas e dores nessa longa
caminhada, mas parece resultar feliz a chegada de Eliana Pittman aos 80 anos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário