segunda-feira, 15 de setembro de 2025

JAIR BOLSONARO SERÁ PRESO, COMO BRILHANTE USTRA DEVERIA TER SIDO

Celso Rocha de Barros, Folha de S. Paulo

Com exceção de Fux, STF julgou como Ulysses Guimarães em ação na qual a única coisa que não era difícil era a análise jurídica

STF julgou como Ulysses Guimarães. Agora Jair Bolsonaro será preso, como Brilhante Ustra deveria ter sido.

Por STF, naturalmente, me refiro a Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Votaram de maneira parecida e com técnica impecável, o que não surpreende: a única coisa que não era difícil nesse julgamento era a análise jurídica.

Mesmo se o pior maluco do 8 de Janeiro invadisse o STF no meio do julgamento com Paulo Figueiredo escondido embaixo de uma peruca e tentasse soterrar as provas contra Bolsonaro embaixo de uma montanha de tuítes do Carluxo, com ofensas às regras elementares da inferência, da dedução e da reflexão moral, pedidos de visto para visitar a Disney, citações obviamente erradas de relatórios sobre a democracia no Brasil, nudes do Olavo de Carvalho, mímicas de animal agonizando por não conseguir entender o conceito de organização criminosa, além de uma incurável compulsão por colocar a culpa no mordomo, certamente levaria mais de 12 horas tentando.

Quando Cármen Lúcia deu o voto decisivo, defensores da democracia no mundo todo celebraram a vitória da liberdade brasileira. Como dizia meu pai, foi um daqueles momentos em que deu vontade de ficar de pé e cantar o hino.

A decisão do STF foi importante para mostrar aos inimigos da democracia brasileira que ela tem dentes e sabe se defender.

A aliança entre golpistas e ladrões no Congresso vem tentando emplacar uma mutreta para melar o julgamento do STF. A anistia encorajaria Trump a escalar a chantagem contra a economia brasileira, educaria uma geração para a descrença absoluta nas instituições, encomendaria conflitos muito mais violentos para as próximas décadas e fortaleceria os elementos mais radicais na direita, que, a propósito, derrotariam nas próximas eleições os deputados do centrão que aprovassem a anistia.

Uma ideia vagabunda como essa só prospera porque o sistema de Justiça brasileiro cometeu um enorme erro: o braço político do bolsonarismo, fundamental nas articulações golpistas, não foi julgado. Os parlamentares que pediram golpe na reunião de 30 de novembro de 2022 no Congresso ainda estão lá. A bancada do golpe segue forte.

Enquanto isso, Donald Trump segue sabotando a economia e as instituições brasileiras com apoio dessa quinta coluna. No último 7 de setembro, em frente a uma imensa bandeira americana, Tarcísio de Freitas jurou dar continuidade à crise institucional brasileira se for eleito presidente.

Tarcísio precisa radicalizar porque fala para um público que não vai moderar suas posições enquanto tiver alternativas à moderação. Enquanto os golpistas tiverem chance de serem soltos pelo Congresso, enquanto receberem apoio de uma superpotência, seus seguidores vão moderar por quê?

Mas cada dia tem sua luta. A hora é de comemorar.

Aqueles brasileiros pobres que foram votar a pé porque Jair bloqueou as estradas, verdadeiros kids pretos do exército de Ulysses Guimarães, viram a condenação de quem lhes tentou roubar o voto. E quanto às centenas de milhares de brasileiros que perderam seus entes queridos na pandemia, fica o consolo: o golpe só foi desvendado porque a polícia pegou Mauro Cid falsificando cartão de vacina.

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