Governo resiste à imposição do calendário e quer fazer
cortes
O esquema no desvio de recursos funciona quase no
automático
Por mais que o STF venha
cobrando transparência no destino de emendas parlamentares —em especial aquelas
em que a verba vai direto para o caixa das prefeituras, as chamadas
emendas Pix—,
o esquema utilizado no desvio de recursos está tão azeitado que funciona quase
no automático.
Segundo as investigações da Polícia
Federal, o dinheiro é depositado pelas prefeituras numa conta de passagem e
depois transferido a outras, destinadas a despesas correntes. Rapidamente ele
some, dificultando o rastreio. As denúncias se sucedem, mas acabam caindo no
vazio profundo do Brasilzão com 5.570 municípios.
Os repórteres do jornal O Globo Patrik
Camporez e Thiago Faria revelaram o caso de Arari, cidade maranhense de 30 mil
habitantes. Líder do União Brasil na Câmara, o deputado Pedro Lucas Fernandes
destinou, em 2023, emenda de R$ 1,25 milhão para recuperar uma estrada de terra
na localidade. De acordo com a atual prefeita, Maria Alves Muniz, do MDB, a
verba desapareceu. Ela afirma ter herdado as contas do município zeradas.
O mau uso dos recursos públicos é de chocante normalidade,
com a farra comendo solta em cidades que não oferecem o mínimo à população. Um
levantamento do jornal Estado de Minas mostrou que 33 prefeituras mineiras sem
hospital gastaram, desde 2023, R$ 8,1 milhões em emendas Pix para o
financiamento de shows de artistas sertanejos.
Não por acaso, o Congresso quer tornar obrigatório o
pagamento de emendas do Orçamento de 2026 antes das eleições. O Planalto não só
resiste à imposição do calendário como quer fazer cortar R$ 7,1 bilhões para
compensar a derrubada da MP que previa o aumento de impostos como alternativa
ao IOF. Parece aqueles irmãos que nunca se deram bem e resolvem disputar uma
queda de braço. Valendo dinheiro.
Voraz, a Câmara é capaz de tudo. Não custa lembrar sua
jogada mais ambiciosa, a aprovação da PEC da Blindagem, cujo objetivo evidente
era beneficiar deputados suspeitos de desvios de verbas na mira do STF. Só
fracassou pela pressão das ruas e redes.

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