Pesquisas mostram que presidente voltou a ser o favorito
para a eleição do ano que vem
As pesquisas mostram que Lula saiu das cordas e voltou a ser
o favorito para a eleição do ano que vem. Isso foi conseguido por dois fatores.
O governo impôs uma agenda positiva com a isenção de imposto de renda para o
andar de baixo.
O segundo fator foi o delírio trumpista da oposição, com a
espetaculosa atividade de multidão desfilando uma gigantesca bandeira dos
Estados Unidos na Avenida Paulista no 7 de Setembro.
Trump e suas tarifas não produzem um só emprego no Brasil.
Ao associar-se a ele, bolsonaristas como o governador Tarcísio de Freitas
atravessaram a rua para escorregar na casca de banana da outra calçada.
A esquerda brasileira era conhecida pela sua capacidade de
se dividir. Lula tornou-se seu fator de união. A paixão pelas divisões migrou
para a direita. Tarcísio, Caiado e Romeu Zema não se entendem e ninguém sabe
porquê. Como se isso fosse pouco, o deputado Eduardo Bolsonaro age como um
guerrilheiro avulso.
A direita está na ilusão de que em 2026 vão
se repetir as condições de 2018, quando o mapa eleitoral passou por uma maré
conservadora. Em 2018, Lula estava na cadeia, o PT na lona, derrubado pelas
roubalheiras confessadamente cometidas pelos burocratas e empresários apanhados
pela Lava-Jato. Hoje o juiz Sergio Moro é um senador ectoplásmico que vaga
pelos corredores do Congresso. Quem está em prisão domiciliar é Jair Bolsonaro.
À primeira vista, dividida, a direita não vai a lugar algum.
À segunda vista, o bolsonarismo, que foi um agregador em 2018, hoje é um
desagregador, uma espécie de encosto.
A bolha de 2025 e a bomba de 1929
Na mesma semana em que chegou às livrarias americanas o
“1929”, do repórter Andrew Ross Sorkin, celebrizado pelo seu “Too Big to Fail“
(“Muito grande para quebrar”) sobre a crise financeira de 2008, Sam Altman,
fundador da Open AI, disse que alguns setores do mundo da Inteligência
Artificial “estão meio inflados”.
Tudo indica que há empresas de IA operando com as mágicas
financeiras das bolhas.
Por via das dúvidas, revisitar a crise de 1929, com seus
personagens, titãs e charlatães, é sempre uma boa aula. Sorkin fez um belo
livro, simples e cronológico.
Em alguns momentos, as falas de 2025 relacionadas com a IA
ecoam 1929, com uma diferença: Herbert Hoover, o então presidente dos EUA não
cultivava milionários bajuladores.
Em 1929, os milionários usavam polainas e cartolas, em 2025,
mostram-se joviais de jeans e camisetas.
Retórica oca
No início de 2023, Lula informou:
“Estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a
vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes tempos de
destruição.”
Chegou-se ao final de 2025, a fila chegou a 2,6 milhões de
vítimas e acabou o programa para acabar com ela.
Eremildo, o idiota
Eremildo é um idiota, não acredita em mensagens eletrônicas
e ainda se comunica por telegrama. Mesmo assim, o cretino não entende como os
Correios tenham passado de empresa lucrativa à condição produtora de um buraco
de R$ 20 bilhões.
Na opinião do cretino, antes que reapareça o coral da
privataria, seria o caso de se identificar os gestores dessa ruína. Buraco em
estatal, como o jabuti da forquilha, tem mão de gente.
Quebrar empresa para justificar sua privatização foi coisa
comum no século passado.
Escala 5/2
Lula, o PT e o ministro do Trabalho farão toda a coreografia
de apoio ao projeto de uma nova escala de trabalho, com dois dias de repouso.
E só.
Exagero na blindagem
A bancada governista na CPI do INSS exagerou na prestação de
serviços ao Planalto quando derrubou por 19 votos contra 11 a convocação de
José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente do
Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), uma das
entidades investigadas pela comissão.
Aos 83 anos, Frei Chico é um veterano sindicalista. Foi ele
quem levou Lula para o movimento operário. Não precisava da blindagem que
poderá transformá-lo em vidraça durante o ano vindouro.
O estilo de Leão XIV
Feito Papa Leão XIV, o cardeal americano Robert Prevost se
distanciou dos estilos de seus dois antecessores. Não tem o gosto pelas
regalias do alemão Bento XVI com seus sapatos vermelhos, nem os adoráveis
lances de peronismo populista de Francisco, abandonando os aposentos
regalescos.
Relativamente jovem, com 70 anos, leva mais o jeito de João
Paulo II.
Bardot em Búzios
Em 1964, a atriz francesa Brigitte Bardot veio ao Brasil,
com Bob Zagury, seu namorado meio marroquino, e passou uma temporada num
arraial de pescadores chamado Búzios.
À época, noticiou-se que o prefeito do lugar oferecia
terrenos grátis a quem aceitasse algumas condições e construísse uma casa.
Hoje, um metro quadrado de terreno em Búzios chega a valer
R$ 7.500.
Elite no crime
Enquanto as forças da lei e da ordem não puserem na cadeia
um diretor de grande empresa ou banco de porte médio, o andar de cima de
Pindorama continuará flertando e operando com o crime organizado.
Andrew e Kate
Depois de décadas de condutas antipáticas, picaretagens e
escândalos sexuais, o príncipe Andrew, filho da falecida rainha Elizabeth,
renunciou aos seus títulos.
Tudo bem, mas falta explicar porque, até agora, a burocracia
da nobreza britânica não deu títulos a Carole e Michael Middleton, pais de
Kate, princesa de Gales.
Pelo lado materno, Kate descende de uma legítima cepa da
classe operária inglesa. Nela houve um estucador, um caloteiro preso e uma
servidora que trabalhou em Bletchley Park, a central que decifrava os códigos
alemães durante a Segunda Guerra.
De olho em Cuba
A escalada trumpista contra a ditadura de Nicolás Maduro na
Venezuela é um ensaio para o seu verdadeiro objetivo na América Latina: Cuba.
Nesta fase, os EUA testam a extensão da solidariedade continental.
Marco Rubio é filho de cubanos e Donald Trump sabe que a
queda do regime comunista de Cuba poderá abrir espaço para um dos grandes booms
imobiliários do século.
Hoje, como em 1961, quando os EUA perfilharam uma desastrada
invasão da ilha, a questão está no apoio (ou rejeição) do povo cubano ao
regime.
O Arco de Trump
Donald Trump pode estar acometido de um de seus surtos de
grandiloquência ao propor a construção de um arco monumental para celebrar os
250 anos da nação americana.
Uma coisa é certa, qualquer comparação com o Arco do Triunfo
francês é enganosa.
Com fervor, a França comemora as vitórias de Napoleão
Bonaparte, um corso que morreu na ilha de Santa Helena, prisioneiro dos
ingleses, a quem se entregou para não ser morto pelos franceses.

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