O Festival de Barbaridades Jurídicas que Assolam o País
deseja boa comilança
Sem vale-peru mas com vale-champanhe, Natal dispensa
código de ética
A República brasileira é um "ajuntamento de piratas
mais ou menos diplomados", escreveu Lima Barreto. "‘Comem’ os
juristas, ‘comem’ os filósofos, ‘comem’ os médicos, ‘comem’ os advogados,
‘comem’ os poetas, ‘comem’ os romancistas, ‘comem’ os engenheiros, ‘comem’ os
jornalistas: o Brasil é uma vasta ‘comilança’."
"Piratas mais ou menos diplomados" juntam a fome
com a vontade de jantar. E com a vontade de pagar entrada em todos os camarotes
da vida social: voar no jatinho, navegar no iatinho, participar dos festivais
do arranjinho em destinos do vira-latismo colonial, como Lisboa.
Foi Stanislaw
Ponte Preta (ou Barão de Itararé) quem cunhou o princípio de justiça
do regime de vasta comilança: "Ou restaure-se a moralidade, ou
locupletemo-nos todos". Tem razão. Locupletássemo-nos todos, a
desigualdade estaria resolvida.
Stanislaw também criou o Febeapá —"Festival
de Besteiras que Assolam o País", para sujeitar a bestialidade militar à
galhofa. Em homenagem a Stanislaw, poucos anos atrás foi criado o Febejapá —
"Festival de Barbaridades Jurídicas que Assolam o País", para dar ao
ridículo jurídico o reconhecimento democrático.
Depois de um ano de muita barbaridade jurídica, o Febejapá
ressurge nessa noite para desejar um encontro familiar em comunhão com o
espírito do tempo. Lamentamos que magistocratas não tenham ganho, como no Natal
de 2024, um vale-peru
de R$ 10 mil para "cobrir necessidades nutricionais", como
se alegou. O juiz Eduardo Appio, símbolo maior do lava-jatismo invertido,
parece ter coberto necessidades de hidratação por outras vias. Foi filmado
aparentemente furtando
champanhe em supermercado de Blumenau.
Em 2025, dê a pessoas queridas um presente
explicativo-conceitual a ser recitado oralmene na sala de estar. Uma luz
analítica no final do túnel de equívocos dolosos e culposos do caradurismo
magistocrático. O meu será esse aqui:
"Ministro que fofoca e manda recado em off viola a
ética judicial. Jornalista que publica fofoca anônima de ministro sob o
esconderijo do sujeito impessoal ‘ministros do STF’ viola a ética jornalística.
Advogado que investe em encontros indecorosos com magistrados e diz ser
profissional liberal, não funcionário público, portanto autorizado a todo meio
para prestar direito de defesa, viola a ética advocatícia em segundo
grau."
Bacharéis bacharelescos não quebram decoro em silêncio. Não
é só ingenuidade, é profunda desorientação teórica de profissionais mais ou
menos diplomados. Dotados do impulso professoral para iluminar incautos, vão
"explicando pra te confundir", se fazem "iluminados pra poder
cegar" e "cegos pra poder guiar". Tom Zé deve ter pensado nos
medalhões do direito para compor a letra. Medalhões a quem Machado de Assis
recomendou dizer simplesmente: "Antes das leis, reformemos os
costumes!" A frase "entra pelos espíritos como um jorro súbito de
sol".
No amigo secreto de Natal, ignorem conflitos de interesse,
teto de gastos, a honra do cargo de parente, a colegialidade familiar, a
institucionalidade do afeto. Família precisa de amor, não de código de ética.
Locupletemo-nos todos na comilança! E reformemos os costumes!

Nenhum comentário:
Postar um comentário