André Mendonça será agente contrário à investigação sobre
Dias Toffoli? Essa é a questão. Porque pesa sobre o STF – pressiona o STF – o
relatório da Polícia Federal que reúne indícios de crimes cometidos pelo
ministro-hoteleiro. Pesa sobre a indolência de Fachin. Pesa sobre a omissão do
PGR Xandão Gonet.
Mendonça formará com eles? A propaganda corrente-influente
nos dá conta de que chegou chegando à relatoria do caso Master. Cheio de
providências etc. Há mesmo boas gestões; aquelas que levam a investigação aos
trilhos de alguma legitimidade, restituída à PF a prerrogativa de
apurar-periciar.
É alarmante o volume de dificuldades
empilhado por Toffoli como relator da matéria – barreira cuja gravidade alcança
a altitude do sem-precedentes quando sabido que agiu sobre conjunto que o
implicava, ex-sócio do cunhado-operador de Vorcaro contra quem a Compliance
Zero mobilizara a segunda fase.
Por contraste ao antecessor, Mendonça de repente deixa de
ser o ministro-empresário que – na reunião secreta gravada clandestinamente –
atestou a “fé pública” do colega e, fechando com a versão de que a PF promovera
investigação ilegal, levantou a bandeira corporativista do efeito Orloff: “Pode
acontecer com qualquer um de nós. Quero saber se vão dar esse tratamento para
mim. E encerro aqui”.
O “encerro aqui” informa. Comunica o medo geral de ser o
Toffoli de amanhã. Comunica as relações que tem. Comunica uma pretensão. Aquela
que explica a reunião secreta da qual os juízes da Corte constitucional sairiam
com solução puxadinho destinada à acomodação – como se o princípio do juiz
natural fosse cabeça de gado da qual ministro-fazendeiro pudesse dispor à
vontade: Toffoli ao mesmo tempo afastado da relatoria e insuspeito. A
pretensão-pacto: abafar. Porque – solidariedade do temor – não será somente ele
a figurar nos telefones do banqueiro e suas fachadas.
O pescador Alexandre de Moraes – que frequentava Vorcaro,
que tinha a esposa como advogada do Master e que se reuniu com o presidente do
BC para não falar do banco – já botou a sua relatoria paralela-intimidatória em
riste e fez depor, desde a condição de investigado, o sindicalista que ousou
opinar sobre a rede-arrastão que lançara: seria mais seguro fiscalizar membros
do PCC que “altas autoridades” brasileiras. Xandão confirma.
Eis o Supremo: rigoroso para com servidores ainda
investigados – os nomes já expostos, trancados com tornozeleiras eletrônicas –
e frouxo sobre a gravação clandestina de sua reunião. Que não será investigada.
Ninguém sabe ainda quem vazou dados sigilosos de parentes de ministros – os
violadores apontados, porém, já sob cautelares. Os ministros sabem quem lhes
gravou-vazou na alcova – e deixarão quieto, pela “paz institucional”. Ou
porque, desconfiados uns dos outros, melhor será se unirem.
Serão investigadas as relações de Toffoli com a turma do
Master? Mendonça apoiará que se investigue? Está respondido. •

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