Se você quer alguém novo, de fora, para livrar o Brasil
da corrupção, prepare-se para ser tapeado
O sistema é o que os antissistema querem derrubar para
impor seu próprio sistema, seja qual for
Não paga dez. Pelo que as trombetas já anunciam, o principal
adversário dos candidatos a candidatos à Presidência pela oposição, mais do que
o odiado incumbente, será um ente invisível, impalpável, incolor e inaudível —o
sistema. A palavra já está na boca de vários, salivante, sibilante, pronta a
ser pronunciada com uma profusão de "Ss", fazendo dos discursos uma
sinfonia de assobios. O que a torna paradoxalmente significativa é o fato de
que tanto esses candidatos quanto seus potenciais eleitores não precisam saber
o que ela significa.
O sistema é mais fácil de atacar do que de
definir. De modo geral, é um conglomerado de políticos que mamam nas tetas do
povo, sendo nós os mamados. O candidato
antissistema é um puro, um impoluto, vindo de alguma estratosfera, a
salvo de mamatas, desvios e negociatas. Votando nele, você estará dizendo que
não agüenta mais a política oficial, não acredita em partidos e quer
"alguém novo, de fora, para livrar o Brasil da corrupção".
O eleitor, esse parvo, não percebe que o candidato
antissistema também faz parte do sistema —é um político profissional, vindo de
uma família de políticos profissionais, cercado por uma quadrilha de políticos
profissionais— e vota nele assim mesmo. Os antissistemas mais vitoriosos da
República foram Jânio
Quadros em 1960, Fernando
Collor em 1989 e Jair
Bolsonaro em 2018. Três messias de hospício. Fizeram-se de
antipolíticos, puseram-se acima dos partidos e prometeram varrer a corrupção. O
Brasil sabe o quanto cada um lhe custou.
O sistema é aquilo que os antissistema precisam derrubar
para impor o seu próprio sistema, seja qual for. Mas é impossível disfarçar:
ambos se valem por igual da corrupção. E, para piorar, sem o sistema (leia-se
os políticos) cai-se na ditadura
militar —que, como a nossa demonstrou à larga, também é corrupta.
Não há sistema sem corrupção. A diferença é que, na democracia, ela pode ser
denunciada, investigada, julgada e condenada. Na ditadura, ela também existe e
você é só um ente impotente.

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