Revelações sobre ex-presidente do BRB explicam
insistência para negócio tão danoso, mas há muito a esclarecer
Seu avanço oculta o monopólio de dados e ajuda a bloquear
o pensamento
A prisão
do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, conhecido como PH Costa, e
do advogado Daniel Monteiro, homem de confiança do banqueiro Daniel
Vorcaro, na quarta fase da operação Compliance Zero, ajuda a esclarecer o
que ocorreu dentro do Banco de Brasília (BRB). A
investigação da Polícia
Federal identificou que PH Costa recebeu propina do Master e que lavou
esse dinheiro com a compra de imóveis de luxo, entre eles um apartamento no
edifício Vizcaya Itaim, próximo à Faria Lima, ainda em construção, com unidades
à venda entre R$ 30,1 milhões e R$ 46,2 milhões, como
mostrou a colunista Malu Gaspar. As investigações ainda estão em
andamento, mas já se descobriu o suficiente como o papel do advogado nesse
trabalho de lavar o dinheiro em compra de imóveis.
Paulo Henrique Costa era o presidente do
BRB quando o banco estatal adquiriu a carteira fraudulenta de R$ 12,2 bilhões
do Master e também encabeçou a tentativa de compra do banco de Daniel Vorcaro.
É importante lembrar que o Governo do Distrito Federal, controlador do BRB, fez
pressão sobre o Tribunal de Contas da União (TCU)
para que pressionasse o Banco
Central que havia proibido a compra do Master. O Congresso também teve
uma atuação forte em pressionar o BC, que felizmente não mudou de posição. A
compra da carteira produziu perdas significativas no BRB.
O Banco de Brasília encontra-se neste momento em situação de
extrema fragilidade justamente por causa dessa operação de compra da carteira
do Master, que levou a um rombo nas contas da instituição ainda não claramente
precificado, já que há nove meses o BRB não publica balanço. A atual gestão
aponta para a necessidade de um provisionamento de R$ 8,8 bilhões.
As investigações continuam, afinal é preciso responder se
Paulo Henrique Costa agiu sozinho ou teve ajuda. O ex-governador do Distrito
Federal, Ibaneis Rocha,
apoiava todas as decisões tomadas pelo então presidente do BRB. É preciso
entender as razões desse apoio. Se foi apenas confiança na capacidade
administrativa de Paulo Henrique Costa.
Quando chegou à presidência do BRB, em janeiro de 2019, PH
Costa tinha uma carreira muito bem-sucedida no mercado financeiro. Entre 2001 e
2018, ocupou posições gerenciais importantes na Caixa
Econômica Federal, onde chegou a diretor executivo de Controladoria,
diretor de Administração, Finanças e Relações com Investidores na Caixa
Seguridade, superintendente nacional de Administração de Risco Corporativo e
gerente nacional de Risco e Modelagem. De 2011 a 2013, Costa foi também diretor
de Controladoria e Compliance do Banco Pan. PH
Costa era vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da
Caixa Econômica Federal quando se desligou para assumir a presidência do BRB.
Não há relatos, até aqui, de comportamento inadequado nesses cargos, mas agora
ele terá de explicar a compra desses imóveis e a origem desse dinheiro, se
tiver outra explicação, em contraponto a tudo que foi encontrado pelas
investigações da PF.
A nova direção do BRB, sob a liderança de Nelson Souza,
contratou uma auditoria externa que encontrou vários indícios de malfeitos
dentro do banco. O material foi entregue à Polícia Federal, que abriu um
segundo inquérito para investigar. Quem, além de PH Costa, está envolvido no
esquema é o que precisa ser esclarecido; já se sabe que Vorcaro contou até com
um diretor do Banco Central. Nesse ponto, é importante lembrar que foi o
próprio BC que, a partir de uma investigação interna, identificou os fatos e os
encaminhou à Polícia Federal.
Em paralelo às investigações policiais e seus
desdobramentos, há uma busca por soluções para sanear a situação do BRB. O
banco tenta arregimentar
um pool de instituições financeiras, com o apoio do Fundo Garantidor de Crédito
(FGC), para viabilizar um empréstimo que permita sua recapitalização. O
Governo do Distrito Federal, controlador da instituição, é deficitário e não
dispõe dos recursos necessários para reequilibrar as contas do BRB. É possível
que se consiga mobilização de outros bancos pode viabilizar o empréstimo
necessário para manter o BRB sólido.

Nenhum comentário:
Postar um comentário