Trump sobrevive a terceiro atentado em menos de dois anos
Fim precípuo da democracia é prevenir episódios de
violência
Em menos de dois anos, Donald Trump já
sobreviveu a três
tentativas de assassinato. Nas duas mais recentes, a da Flórida em setembro
de 2024 e a deste
fim de semana em Washington, os serviços de segurança conseguiram impedir o
perpetrador de disparar contra o republicano, mas, na da Pensilvânia em julho
de 2024, foram as forças do acaso que salvaram Trump. A bala de fuzil passou
raspando por sua cabeça.
Os EUA são um país em que a violência política
corre solta. Quatro presidentes foram assassinados no exercício de suas
funções: Lincoln, em 1865, Garfield, em 1881, McKinley, em 1901, e Kennedy, em
1963. Se considerarmos os casos de presidentes, ex-presidentes e candidatos a
presidente que sobreviveram a ataques, a lista de ocorrências passa dos 15. O
exemplo mais notório é o de Ronald
Reagan, gravemente ferido num atentado em 1981.
Apesar de a violência política ser um elemento constitutivo
da história americana, tudo aponta para um recrudescimento do fenômeno nos
últimos anos. Relatório do BDI, um centro de pesquisa ligado à Universidade
Princeton, mostrou um aumento de 30% nos incidentes de violência política entre
2024 e 2025. No mesmo período, a polícia legislativa contou um aumento de 58%
nas ameaças contra congressistas.
O suspeito de sempre é a polarização
afetiva, à qual podemos acrescentar um outro mal da modernidade que é
a extrema facilidade que as pessoas têm para radicalizar a si mesmas na
internet. Até alguns anos atrás, para tornar-se um radical era em geral preciso
integrar-se fisicamente a um grupo radical.
É uma deterioração preocupante, se considerarmos que o fim precípuo da
democracia é justamente evitar a violência política. A democracia muda o
cálculo dos riscos. Enquanto ela vigora, sai mais em conta para quem perde uma
eleição passar um tempo na oposição do que tentar resistir pela força e talvez
deflagrar uma guerra civil. Daí a gravidade de atitudes como as de Trump em
6/1/21 e de Bolsonaro em 8/1/23 de estorvar a transferência pacífica do poder.

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