Ex-governador foi alvo de duas operações da PF em 12
dias; decisão aponta 'vínculo estreito' com Vorcaro
As manhãs já foram mais tranquilas no condomínio de Cláudio
Castro na Barra da Tijuca. Pela segunda vez em menos de duas semanas, o
ex-governador do Rio acordou com batidas na porta. Era a Polícia Federal.
No dia 15, Castro foi despertado por uma operação que apurou
favorecimentos à Refit. A refinaria que não refina pertence ao foragido Ricardo
Magro, apontado como o maior sonegador de impostos do país. Ontem os agentes
voltaram em busca de provas de um esquema com o Banco Master, do presidiário
Daniel Vorcaro.
Na decisão, o ministro André Mendonça
apontou “vínculo pessoal estreito” entre Castro e o banqueiro preso. Os dois
mantinham uma rotina de “encontros frequentes” no Brasil e no exterior. A cada
conversa, sugere o inquérito, os aposentados do estado ficavam um pouco mais
pobres.
Ao ordenar as buscas, o ministro do Supremo citou um
“almanaque de irregularidades” que permitiu o derrame de dinheiro do
Rioprevidência nas contas de Vorcaro. Até aqui, sabia-se que o fundo havia
enterrado quase R$ 1 bilhão no Master. Agora apareceram — ou melhor,
desapareceram — outros R$ 2 bilhões.
As investigações da Refit e do Master descrevem o mesmo
modus operandi. O governador se aproximava de empresários suspeitos, que
passavam a ser presenteados com favores bilionários da gestão estadual. A
diferença estava na fonte do butim. Um esquema desfalcou o Fisco. O outro
assaltou aposentados e pensionistas.
Além de alegar inocência, os advogados de Castro disseram
ver “motivação política” para atingi-lo. A tese omite que as operações foram
autorizadas pelos ministros Mendonça e Alexandre de Moraes, líderes de alas
rivais no Supremo.
Ontem o ex-governador recebeu a PF numa cobertura avaliada
em R$ 4 milhões. Uma evolução e tanto para quem declarou patrimônio de R$ 194
mil na última eleição. Depois de renunciar para fugir da cassação, o
bolsonarista sonhava ressurgir em Brasília como senador. Agora parece mais
perto de outra mudança. Da Barra para Bangu.

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