Laços de Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro levantam dúvidas
Banco era o centro nervoso da bancarização do crime no
Brasil
Se havia dúvidas da ligação de Daniel
Vorcaro, preso nas dependências da Polícia Federal, em Brasília, com
políticos de alta patente, as incertezas caíram por terra com a revelação
das conexões do ex-dono do banco Master com
o senador Ciro Nogueira (PP-PI). E não deve
ser caso único, pela expectativa da proposta de delação premiada sob análise da
PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Por conta dela, a própria
República está na iminência de expelir o coração pela boca.
"Grandes amigos da vida", como rezam as mensagens
no celular de Vorcaro. Essa relação sugere que debaixo desse angu há caroço
grosso, dada a magnitude das transações e a bilateralidade criminosa que
compartilham. De um lado, propinas de até R$ 500 mil mensais; de outro, uso do
mandato em favor do ex-banqueiro. Uma promiscuidade presente no nosso
imaginário, mas jamais vista nesses termos.
A interferência legislativa nas negociatas
de Vorcaro, expressa
na "emenda Master", dentro da PEC 65/2023, abriria perigoso
precedente à economia se concretizada. Difícil acreditar que, pela oferta de
favores e jatinhos de luxo, os "serviços prestados" por Ciro Nogueira
se restrinjam a uma emenda rejeitada. É ingenuidade do colunista ou estamos diante
de algo maior?
"Namoro ou amizade?", diria minha centenária avó.
O certo é que os escândalos do banco Master, foco da Operação Compliance Zero,
configuram o maior esquema financeiro criminoso da nossa história
contemporânea.
Trocando em miúdos, a proposta de delação de Vorcaro, embora
considerada "fraca" pela PGR, carrega potencial de implosão
institucional. Se as provas dos celulares confirmarem o que se especula em
Brasília, não restará pedra sobre pedra nos três Poderes.
Revelará o que até os bobinhos já sabem: o banco Master não
era apenas uma instituição financeira, mas o coração pulsante da bancarização
do crime no Brasil.

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