A candidatura de Zé Prado não tinha o apoio do recém
“Governo das mudanças” e nem do governo municipal – apesar de ter como
candidato a vice, Ricardo Barreto, sobrinho do prefeito Joaquim Barreto – as
pesquisas de intenção de voto realizadas na cidade, Padre Zé liderava e a
tendência nos distritos repetia a da sede.
A campanha era o 'verde' (Padre Zé) contra o 'azul' (Zé
Prado), com o slogan “É Zé contra Zé. É Zé Prado que o povo quer”.
Além das cores que marcaram a campanha, uma personagem
roubou a cena: a "Vaquinha", era atração indispensável nos
comícios.
Apoiado principalmente pela pobreza, Zé Prado arregaçou as
mangas da camisa e visitou todos os bairros e distritos de Sobral. Ele visitou
até casa de eleitores adversários.
Essa campanha foi agressiva, insultos surgiam dos quatro
cantos da cidade contra Zé Prado; inúmeros adjetivos pejorativos brotavam a
cada dia; ‘bagaceira’ era o mais frequente, mas Zé Prado sempre empenhou a
bandeira branca às suas campanhas e nunca guardava mágoa ou rancor de ninguém.
O coração de Zé Prado parecia ser de manteiga ou pudim;
nessa campanha, afirmou em entrevista que se sentia constrangido pelo fato de
disputar com um padre. Zé Prado tinha um pensamento que jamais se deve mexer
com um padre, pois acreditava em castigo divino.
A campanha do 'verde' contra o 'azul' chegou ao fim e para
surpresa de todos, Zé Prado, o candidato da 'bagaceira' que não tinha o apoio
dos governos municipal e estadual, venceu a eleição, com maioria em
87% das urnas.

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