Paulo Motoryn, Eduardo Goulart, Laís Martins, Andrew
Fishman, Cecília Olliveira, Leandro Becker e Mauricio Moraes
ÁUDIO: Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro R$ 134
milhões para bancar filme sobre Jair
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia
conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o
senador Flávio
Bolsonaro, do PL do
Rio de Janeiro, ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro,
em uma mensagem enviada pelo WhatsApp em
16 de novembro de 2025.
Um dia após a mensagem de Flávio, Vorcaro foi preso enquanto
tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$
47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. No dia seguinte, 18 de
novembro, seu banco foi liquidado pelo Banco Central.
A frase escrita pelo hoje pré-candidato à Presidência da República é parte de uma série de registros que indicam a existência de uma negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
Documentos e mensagens obtidos com exclusividade pelo Intercept
Brasil indicam que pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61
milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências —
haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para
financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.
Os registros incluem um cronograma de desembolso, um
comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas previstas para a
produção. Não há evidências nas mensagens de que Vorcaro tenha feito os outros
oito pagamentos previstos para o projeto.
O envolvimento de Vorcaro foi negociado diretamente por
Flávio Bolsonaro, mas teve outros intermediários, como o irmão e deputado
federal cassado Eduardo Bolsonaro,
do PL de São Paulo, e o deputado federal Mario Frias,
também do PL paulista, que foi secretário da Cultura no governo Bolsonaro.
As conversas privadas e os documentos de Vorcaro revelam os
profundos laços financeiros e a estreita relação entre o clã Bolsonaro e o
banqueiro que se tornou o homem mais radioativo de Brasília. Flávio já havia
negado tais conexões, da sua família e da extrema direita, chegando a dizer que
isso era uma “narrativa falsa que o Lula tem
criado”.
Quando foi noticiado,
em março deste ano, que o cunhado de Vorcaro – o pastor Fabiano
Zettel – havia feito uma doação de R$ 3 milhões para a campanha
presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio disse
à CNN que isso aconteceu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma
contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”.
“Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da
direita”, afirmou o
senador. Em evento da pré-campanha em João Pessoa, na Paraíba, dois dias antes,
ele classificou
o caso como um “grande esquema de roubalheira que está dando nojo
a todo o país”.
Na manhã desta quarta-feira, 13, Flávio Bolsonaro foi
questionado presencialmente pelo Intercept sobre o financiamento de Vorcaro ao
filme e respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida,
deu uma gargalhada e se retirou de onde concedia entrevista à imprensa, próximo
ao Supremo Tribunal Federal, o STF – antes, o senador havia se reunido com o
ministro Edson Fachin, presidente da corte.
Flávio já havia sido contatado sobre o assunto – por
telefone, WhatsApp e e-mail, mas não retornou até a publicação da reportagem. A
defesa de Daniel Vorcaro foi acionada, mas não houve resposta. Eduardo
Bolsonaro também não respondeu aos questionamentos enviados pelo Intercept. O
espaço segue aberto e, caso haja resposta, o texto será atualizado.
Em nota enviada ao Intercept após a publicação da
reportagem, a defesa do deputado federal Mario Frias confirmou os contatos
entre o parlamentar e Vorcaro, mas disse que as mensagens “refletem apenas uma
relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado
da iniciativa”.
Também destacou que Frias não exerceu papel de articulador
político ou financeiro em nome de Vorcaro. Ainda negou qualquer uso do mandato
parlamentar para “promoção de lobby privado ou favorecimento empresarial”.
O advogado do deputado informou, ainda, que, na época da
troca de mensagens, Vorcaro era conhecido como um empresário do mercado
financeiro e “não havia qualquer informação pública que indicasse eventual
irregularidade financeira” atribuída ao banqueiro. “Conversas privadas
envolvendo exibição de conteúdo audiovisual ou encontros sociais entre pessoas
públicas e empresários não configuram irregularidade”, destacou a defesa do
parlamentar.
Sobre o filme, a defesa pontuou que Frias participou do
desenvolvimento criativo e institucional do projeto audiovisual e que “o
entusiasmo manifestado nas mensagens privadas decorre da dimensão artística e
cultural do projeto, considerado por sua equipe como uma produção inédita
dentro do cinema nacional independente”.
Vorcaro bancou filme do clã Bolsonaro
Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2
milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos
analisados pelo Intercept indicam que pelo menos parte do dinheiro foi
transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria
com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no
Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Os registros ainda sinalizam a participação direta nas
operações de outros dois intermediários: o empresário Thiago Miranda – fundador
e sócio do Portal Leo Dias –, e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal
como o principal operador financeiro de Vorcaro.
As mensagens obtidas pelo Intercept abrangem o período de
dezembro de 2024 a novembro de 2025 e incluem diálogos do banqueiro com
diversos interlocutores. O conteúdo do vazamento foi verificado por meio de
cruzamento de informações contidas nos diálogos com dados públicos e sigilosos.
Entre os elementos que confirmaram a autenticidade do material estão dados
bancários e telefônicos, inquéritos policiais, registros do Congresso
Nacional e de redes sociais.
De acordo com as conversas a que tivemos acesso, o
relacionamento entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para viabilizar a
produção internacional do filme contava com um intermediário no fim de 2024 e,
no ano seguinte, evoluiu para uma interlocução direta, marcada por cobranças
para a liberação de dinheiro, tratativas operacionais e demonstrações de
proximidade pessoal.
As conversas também indicam que Daniel Vorcaro acompanhava
pessoalmente o andamento dos pagamentos e atribuía prioridade ao filme em
relação a outros compromissos financeiros.
O Intercept entrou em contato por e-mail com advogados do
ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não obteve retorno até a publicação desta
reportagem.
‘Flavio está ciente de tudo’
A primeira aproximação registrada pelas conversas obtidas
pelo Intercept ocorreu em 8 de dezembro de 2024, quando o empresário Thiago
Miranda, então CEO do Portal Leo Dias, organizou um encontro entre Flávio
Bolsonaro e Vorcaro em Brasília.
Na mensagem para confirmar o encontro, Miranda afirmou ao
banqueiro que o senador queria tratar do “filme do presidente e do SBT $$” [uma
possível referência ao canal de televisão SBT], acrescentando que “Flavio está
ciente de tudo”.
Thiago Miranda e Leo Dias foram contatados para comentar as
trocas de mensagens. Até a publicação da reportagem, não houve resposta. O
espaço segue aberto e, caso haja retorno, o texto será atualizado.
O SBT, por sua vez, respondeu que, “nunca teve qualquer tipo de contrato com o Banco Master” e que “o produto CredCesta, vinculado ao Grupo Master, fez ações comerciais de fevereiro a dezembro de 2024 em programa do SBT” e que “a relação do SBT com o Banco Master foi a mesma que com todos os seus anunciantes, com estritamente a comercialização de espaços publicitários”.
A reunião foi marcada, segundo os registros, para 11 de
dezembro, às 17h30, na residência de Vorcaro em Brasília. Naquele dia, Flávio
Bolsonaro participou de uma reunião deliberativa na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania, a CCJ. O vídeo disponível no canal do Senado no YouTube
mostra que, por volta das 17h30, ele recebe um
telefonema, se levanta e sai da sala.
As imagens mostram Flávio voltando a se sentar na sua
cadeira poucos
minutos depois das 18h, o que sugere que uma possível participação na
reunião poderia ter ocorrido de forma remota ou em outro local.
Pouco menos de uma hora após o horário previsto para o
encontro, às 18h24, as mensagens obtidas pelo Intercept mostram que Mario Frias
enviou um áudio para Vorcaro agradecendo pelo apoio ao projeto. Frias afirmou
que o filme “vai mexer com o coração de muita gente” e seria importante para o
país. Na sequência, ele e o banqueiro fizeram uma ligação telefônica entre si.
Nos meses seguintes, as mensagens indicam avanço das
negociações. No início de 2025, Miranda e Flávio pressionam Vorcaro para
destravar os contratos e iniciar os aportes.
No dia 20 de janeiro, Miranda encaminhou a Vorcaro uma
captura de tela em que um número atribuído a Flávio Bolsonaro pedia que o
jurídico do investidor fosse pressionado para concluir o processo. Horas
depois, Vorcaro respondeu a Miranda, na época CEO do Portal Leo Dias: “Vou
atras aqui”.
As conversas mostram que o cronograma de pagamentos passou a
ser acompanhado diretamente pelo banqueiro e por Fabiano Zettel, apontado nas
mensagens como responsável pela operacionalização jurídica e financeira do
aporte. Entramos em contato com o advogado de Zettel, Celso Vilardi, mas ele
não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.
No dia 21 de janeiro, Zettel explicou a Vorcaro que o filme
teria um fluxo específico de pagamentos: dez parcelas de 2,5 milhões de
dólares. Meses depois, em agosto do mesmo ano, Miranda enviou a Daniel Vorcaro
um documento com uma tabela indicando que o fluxo de pagamentos acordado foi
diferente: 14 parcelas – 12 delas de 1,666 milhão de dólares e duas de 2
milhões de dólares.
Ainda em janeiro, no dia 28, Vorcaro demonstrou preocupação
com os atrasos nos repasses financeiros e afirmou que o projeto cinematográfico
era prioridade absoluta ao definir o pagamento como “o mais importante
disparado”. E deu uma ordem: “Nao pode falhar mais”.
As mensagens também revelam dificuldades operacionais para a remessa internacional dos recursos. Em fevereiro, Zettel relatou sucessivas recusas do setor de câmbio do Banco Master para realizar a operação e que informações de cadastro eram “meio estranhas”. Vorcaro, então, orientou que o pagamento fosse realizado “via entre”, uma referência à empresa Entre Investimentos e Participações.
Embora o Grupo Entre Investimentos e Participações e Vorcaro
neguem qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre as partes,
processos judiciais e administrativos obtidos pelo Intercept evidenciam uma
conexão operacional e financeira entre o grupo e o banqueiro. Em março de 2026,
após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da Entrepay, uma
empresa que pertencia ao Grupo, autoridades passaram a investigar a suspeita de
que Vorcaro atuaria como dono
oculto da empresa.
Segundo matérias publicadas por Metrópoles e Estadão,
investigadores avaliam que Antônio Carlos Freixo Júnior — executivo ligado ao
Grupo Entre e identificado nas mensagens do vazamento obtido pelo Intercept
como Mineiro — funcionaria como operador de interesses do banqueiro dentro da
companhia.
Apesar das negativas oficiais, as mensagens indicam haver
uma ligação entre Vorcaro e Freixo. Em fevereiro de 2025, segundo os registros,
Fabiano Zettel perguntou a Vorcaro se poderia “pedir pro Minas” logo após o
banqueiro sugerir fazer a operação “via entre”. O telefone de Freixo foi salvo
na agenda de contatos de Vorcaro como Mineiro.
O Intercept enviou mensagem por WhatsApp e telefonou para
Antônio Carlos Freixo Júnior, mas não obteve retorno até a publicação desta
reportagem.
Dias depois, em 14 de fevereiro de 2025, Zettel encaminhou
ao banqueiro o comprovante de uma transferência internacional de 2 milhões de
dólares para o Havengate Development Fund LP, identificado nas mensagens como o
fundo ligado à produção do filme. A Entre Investimentos e Participações aparece
no registro como a remetente do valor.
O Grupo Entre, controlador da Entre Investimentos e
Participações, também foi contatado pela reportagem. No entanto, não houve
retorno até a publicação.
Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o
fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas, nos Estados
Unidos, e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto
PLLC”, de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à
companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo
endereço comercial em Dallas.
Os documentos desta segunda firma apontam o corretor de
imóveis Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo
Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo
endereço comercial utilizado pelo Havengate.
Em março de 2025, de acordo com os registros obtidos pelo
Intercept, Vorcaro voltou a cobrar a quitação das parcelas ainda pendentes. Em
uma mensagem enviada no dia 12 daquele mês, ele encaminhou um cronograma de
desembolsos indicando que apenas a primeira parcela havia sido paga até então.
O documento previa seis parcelas somando 10,6 milhões de dólares entre janeiro
e maio de 2025.
Em contato telefônico, Altieris Santana se recusou a prestar
informações à reportagem, indicando Paulo Calixto como representante legal.
Paulo Calixto, por sua vez, não respondeu aos contatos telefônicos, por e-mail
e via mensagem feitos pelo Intercept.
Crise do Master atrapalha ‘Dark Horse’
No dia 21 de março, o nome de Eduardo Bolsonaro apareceu
pela primeira vez nas conversas a que tivemos acesso. Thiago Miranda encaminhou
a Vorcaro uma captura de tela em que um número atribuído a Eduardo sugere
alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA – e informa que
Altieris Santana, controlador do fundo Havengate, estaria disponível para
reuniões presenciais relacionadas à operação financeira.
No contato com a reportagem do Intercept, Altieris Santana
se recusou a comentar a relação com o filho do ex-presidente ou a intermediação
dos pagamentos. O Intercept também questionou por e-mail o ex-deputado Eduardo
Bolsonaro, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.
O cronograma de financiamento do filme coincidiu com a
tentativa fracassada de Vorcaro de vender o Master para o Banco
de Brasília, o BRB, e com a crescente atenção das autoridades, que
culminaria na sua prisão. Ao longo do segundo semestre de 2025, as mensagens
indicam aumento da pressão financeira sobre Vorcaro e uma intensificação do
contato direto com Flávio Bolsonaro.
Em agosto, Miranda enviou ao banqueiro a imagem de uma
tabela intitulada “Funding Schedule Havengate Dev Fund”, segundo a qual 10,6
milhões de dólares já haviam sido transferidos de um total previsto de 23,9
milhões de dólares. Vorcaro respondeu: “segunda fazemos duas”, e Miranda
afirmou estar “monitorando essa reta final”.
A reportagem do Intercept telefonou para Miranda e enviou
questionamentos a ele por WhatsApp, mas não obteve resposta até a publicação
desta reportagem.
Pouco depois, em 8 de setembro, alguns dias antes de Jair
Bolsonaro ser condenado pela trama golpista, Flávio Bolsonaro enviou um áudio
diretamente a Vorcaro cobrando o saldo pendente e alertando para o risco de
paralisação da produção do filme.
Na gravação, o senador diz que havia preocupação com o
atraso nos pagamentos a profissionais internacionais envolvidos na produção.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Jair
Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô,
renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”,
afirmou Flávio.
Flávio também disse que o não cumprimento dos compromissos
financeiros poderia comprometer contratos, elenco, direção e toda a equipe do
longa. “Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não
honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”, declarou.
Na resposta, Vorcaro pediu desculpas, afirmou que a semana
anterior havia sido muito difícil para ele e prometeu resolver a situação até o
dia seguinte. Na mesma noite, os dois fizeram uma ligação telefônica de cerca
de dois minutos e meio, de acordo com os registros obtidos pelo Intercept.
Cinco dias antes dessas mensagens entre Flávio e Vorcaro, o
BRB anunciou que o Banco Central havia reprovado
a venda do Master.
‘Tudo isso só está sendo possível por causa de vc’
As conversas seguintes mostram a manutenção do contato frequente entre ambos. Ainda em setembro, Flávio e Vorcaro realizaram quatro ligações e marcaram encontros presenciais em São Paulo.
Em uma troca de mensagens no dia 17, Vorcaro perguntou “14:30?”, ao que Flávio respondeu: “Blz”. Em outubro, as cobranças se intensificaram novamente. No dia 22, Flávio informou que as filmagens já estavam no terceiro dia e que a produção havia chegado “no limite”. O senador afirmou que, caso o apoio financeiro não pudesse continuar, seria necessário avisar para que a equipe buscasse “outro caminho”. O banqueiro o tranquilizou: “Deixa comigo”.
No mesmo dia, Flávio convidou Vorcaro para um jantar em São Paulo com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh em 2 de novembro. O banqueiro sugeriu realizar o encontro em sua própria residência e que poderia reorganizar sua agenda para comparecer, pois “tinha uma viagem”. Flávio sugeriu, mais tarde, a data de 6 de novembro. Não há confirmação, nos registros, se o jantar de fato ocorreu.
Enviamos questionamentos para Nowrasteh e Caviezel, mas não
houve resposta até o momento de publicação.
No dia 7 de novembro, após enviar a Vorcaro um vídeo de visualização única, Flávio escreveu: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Vorcaro responde: “Que demais”. Em seguida, diz: “Ficou perfeito”.
Em dezembro de 2025, o Intercept
revelou que Karina Ferreira da Gama, produtora do filme no Brasil,
havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar
um contrato de Wi-Fi público sem concluir entregas previstas. Desde março, o
Ministério Público está investigando o contrato. A origem do dinheiro que
custeou a super produção permanecia, no entanto, uma incógnita. Enviamos
questionamentos para Gama, mas não houve resposta até a publicação. O espaço
segue aberto.
O protagonista Jim Caviezel chegou a anunciar a estreia do
filme “Dark Horse” para 11 de setembro de 2026, poucas semanas antes da eleição
presidencial que Flávio Bolsonaro espera vencer. O site oficial do filme, no
entanto, não confirma que a produção tem data para chegar ao Brasil.
Contribuíram nesta reportagem: Ana Clara Barbosa,
Angélica Neiva, André Garavatti, Bianca Pyl, Eduardo Lima, Rafaela Silva,
Samantha Prado, Sarah Germano e Thalys Alcântara
Atualização: 13 de maio de 2026, 16h29
O texto foi atualizado para incluir as respostas da defesa do deputado
federal Mario Frias, do PL de SP, aos questionamentos do Intercept.









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