A única conclusão que não ofende a lógica é que o senador
foi discutir sua situação diante de um escândalo que os dois sabiam que seria
gigante
Um acordo explicaria a tranquilidade com que o senador
falava do Master
Flávio Bolsonaro foi visitar o dono do Banco Master.
Poucos dias antes da visita, Daniel
Vorcaro havia saído da cadeia com tornozeleira eletrônica. No dia
seguinte à visita, segundo o jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles,
Flávio foi anunciado como candidato à Presidência da República.
O que explica esse delivery de político golpista na casa de
um banqueiro ladrão?
A única conclusão que não ofende os fatos
nem a lógica é que Flávio foi a Vorcaro discutir sua situação diante de um
escândalo que os dois sabiam que seria gigante.
Com toda probabilidade, Flávio foi ao encontro de Vorcaro já
sabendo que seria candidato a presidente. A matéria de capa da Folha sobre o
anúncio da candidatura (publicada no dia 6 de dezembro) registra que
aliados do bolsonarismo já haviam sido avisados antes do anúncio oficial.
Flávio também sabia que estava envolvido até o pescoço no
caso Master. Sabia que tinha recebido R$ 60 milhões dos R$ 130 milhões que
Vorcaro lhe havia prometido. Sabia que havia trocado mensagens altamente
comprometedoras com o chefe do esquema Master. Sabia que os governadores
bolsonaristas haviam entregado bilhões de dinheiro público ao Banco Master.
Sabia que seus aliados Ciro Nogueira (PP-PI) e Filipe
Barros (PL-PR)
haviam apresentado projetos no Congresso para tentar salvar o banco, projetos
que teriam quebrado a economia brasileira. Sabia que seu PL havia requerido
urgência para o projeto que permitiria ao Congresso afastar diretores do BC que
votassem contra o Master.
Fazia sentido Flávio se lançar candidato a presidente
sabendo que logo estaria no centro do maior escândalo financeiro da história
brasileira?
Sim, mas só se você aceitar a seguinte hipótese: Flávio
Bolsonaro foi à casa do dono do Master propor um acordo. Vorcaro não
abriria o bico sobre suas relações carnais com o bolsonarismo, e Flávio o
salvaria quando fosse eleito presidente da República.
O acordo explicaria a tranquilidade com que Flávio falava do
Master até ser pego pela polícia e denunciado pelo Intercept Brasil. Explicaria
a tranquilidade com que Vorcaro propõe delações premiadas que não entregam
ninguém, como se estivesse ganhando tempo contando com uma blindagem futura.
Explicaria a atuação de Flávio para derrubar, junto com Alcolumbre e Moraes, a
candidatura de Jorge Messias ao STF; explicaria o desespero do bolsonarismo
para emplacar uma CPI do Master que só vá atrás dos membros do Supremo
enrolados.
Ainda não há provas de que o acordo ocorreu. Mas desafio o
leitor a me apresentar outra interpretação plausível da visita de Flávio
Bolsonaro a Vorcaro, nas circunstâncias em que ela ocorreu. Se eu estiver
errado sobre o que aconteceu naquele dia, a decisão de Flávio de se lançar
candidato mesmo sabendo de seus vínculos com o Master me parece inexplicável.
Flávio, é claro, diz que não foi nada disso. Diz que foi
encontrar Vorcaro pessoalmente para encerrar sua, digamos, parceria artística
com o banqueiro peleleco. Se você acredita nisso, o Master tem uns CDBs para te
vender.
Vai ficando claro o motivo de Flávio Bolsonaro tratar o dono
do Master como irmão. Sua única chance de deixar de ser o filho mais enrolado
com a Justiça seria Jair adotar Vorcaro.

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