Amigos de Nunes Marques dão pista sobre atuação do
ministro no TSE e no STF
Relações políticas do ministro dá à direita esperança nas
eleições e resignação no Supremo
Celebridades da música, ministros de Cortes superiores,
advogados que circulam por tribunais de Brasília, políticos de diferentes
matizes. Esse era o público que lotou a festa da posse de Kassio Nunes Marques
na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Mas nem todo mundo estava lá.
Dos outros nove ministros do Supremo Tribunal Federal,
apenas dois compareceram: André Mendonça, que tomou posse como vice-presidente
da Corte Eleitoral, e Gilmar Mendes. É pouco e destoa de posses anteriores de
integrantes do STF.
Da lista de convidados, é possível constatar que o ministro
tem perfil mais político que jurídico. As amizades mais fiéis, aquelas que
prestigiaram o evento, dão uma pista sobre o que esperar dele à frente do TSE e
no Supremo.
O pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL)
estava na área vip. Também foram abraçar Nunes Marques nomes de peso do
Centrão: o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o ex-presidente da
Câmara Arthur Lira (PP-AL). No salão de festas, corria a informação de que o
senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado no escândalo do Banco Master, havia
confirmado presença. Por fim, não apareceu. A esquerda foi representada pela
solitária presença do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).
Nunes Marques é um produto do Centrão. Chegou ao STF pelas
mãos de Jair Bolsonaro, a partir da ajuda de Flávio e Ciro Nogueira. Com essa
bagagem, tem o desafio de comandar a eleição presidencial em um país
politicamente cindido.
Mas não é só isso. No STF, ele foi sorteado relator da ação
de revisão criminal de Bolsonaro. Na prática, seria um novo julgamento para o
ex-presidente, que foi condenado por tramar um golpe de Estado.
Gente próxima de Nunes Marques aposta que ele não estaria
disposto a facilitar a vida de Bolsonaro. A ação não deve dar em nada, mesmo
porque não haveria maioria no plenário do STF para isso. O ex-presidente deve
contar apenas com os votos de Mendonça e Luiz Fux.
Já no TSE, a família Bolsonaro pode ter mais esperança. O
ministro defende que a Corte tenha postura discreta no processo eleitoral e
libere o palco para a política. Para aliados de Bolsonaro, a Justiça Eleitoral
dificultou o caminho do capitão até o Planalto em 2022, quando o tribunal era
comandado por Alexandre de Moraes.
Um dos motivos para essa avaliação foi Moraes ter baixado
uma norma às vésperas da eleição para conter fake news na internet. Setores da
direita leram como uma forma de silenciar campanhas. Nunes Marques quer que o
TSE jogue parado, sem criar regras até outubro. Na leitura da direita,
significa uma porta aberta para Flávio chegar ao poder.

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