O caso Master causou danos à campanha do filho do
ex-presidente, mas sua atuação no caso das tarifas também trouxe um viés
negativo
O presidente Lula comemorou
ontem melhoras pontuais na avaliação geral do governo e em algumas políticas na
pesquisa Genial/Quaest. Já o senador Flávio
Bolsonaro amargou a má avaliação dos seus atos, palavras e estratégia.
A pior notícia para o candidato da extrema direita não foi a maior distância em
intenção de votos entre ele e Lula e sim a reprovação da sua conversa com Daniel
Vorcaro, do financiamento do filme “Dark Horse”, e do uso do governo
americano como parte da estratégia eleitoral. As tarifas foram vistas como
prejudiciais às empresas brasileiras e 47% concordam com Lula quando ele acusa
Flávio de ter pedido por novas tarifas.
Os ataques tarifários contra a economia
brasileira têm sido comemorados pela família Bolsonaro desde o início. Eduardo
Bolsonaro, no ano passado, agradeceu ao presidente Donald Trump e
disse que os brasileiros compreenderiam “o remédio amargo, mas necessário”.
Desta vez, Flávio tentou se desvencilhar e não conseguiu. Diante da pergunta
“essas tarifas vão prejudicar a sua vida?”, 55% disseram que sim. Elas são
prejudiciais ao país, além de injustas.
Entrevistei ontem o embaixador Maurício Lyrio que fez parte
da negociação do Brasil contra as tarifas no ano passado e também da defesa na
investigação da seção 301.
— É injusto que o Brasil seja penalizado com as tarifas. O
Brasil em 16 anos acumulou déficits de US$ 450 bilhões. A filosofia da atual
política comercial dos Estados Unidos é “já que eu tenho déficit com outros
países, eu vou pôr tarifas para reequilibrar o comércio”. Só que o Brasil tem
déficit. Penalizar o Brasil é um erro — disse o embaixador.
Lyrio lembrou que o intercâmbio entre os Brasil e Estados
Unidos já foi 25% de todo o comércio brasileiro. Veio caindo e estava em 12%.
No ano passado, pela primeira vez em décadas, o comércio com os
norte-americanos foi menos de 10% do total que o Brasil transaciona com o
mundo.
A classificação do PCC e Comando Vermelho como organizações
terroristas também é terreno pantanoso para o clã da extrema direita. A opinião
pública está dividida sobre a decisão do governo americano. Até na direita
bolsonarista 29% avaliam que os EUA não deviam ter tomado essa decisão. Ao
todo, 47% acham que Flávio teve influência e 53% acreditam que vai prejudicar
bancos e empresas brasileiras. Diante da pergunta sobre quem representa hoje o
discurso do patriotismo e defesa dos interesses do Brasil, 47% dizem que é Lula
e 37% dizem Flávio Bolsonaro. A bandeira verde e amarela, que os Bolsonaro
tentaram monopolizar, está mudando de mãos.
A economia piorou por efeito da crise internacional mas, em
várias políticas do setor, o presidente Lula vem colhendo discretas, porém
consistentes melhoras. Um contingente maior de eleitores avalia que a economia
piorou nos últimos 12 meses. Mas vem caindo. Em abril, eram 50%, agora são 44%.
Houve redução do percentual de pessoas que dizem ter visto
mais notícias negativas que positivas. O Novo Desenrola é considerado uma boa
ideia por 50% dos entrevistados e má ideia por apenas 25%. Recuou de 28% para
23% o percentual dos que dizem ter muitas dívidas e subiu de 27% para 30% o dos
que afirmam não ter dívidas. No segmento dos eleitores com renda até dois
salários mínimos caiu de 32% para 23% os que dizem ter muitas dívidas. A
isenção do imposto de renda está sendo mais sentida pela população. No segmento
até dois salários mínimos, 17% diziam em abril ter sentido o efeito da isenção,
em maio, 25% e agora 32%.
Na intenção de votos do primeiro turno, Lula está na frente
tanto no voto feminino, quanto no masculino. O atual presidente tem vantagem de
três pontos entre os homens e de 17 pontos entre as mulheres. Ganha em todas as
faixas etárias e, na escolaridade, perde apenas entre os eleitores com ensino
superior. Nos eleitores com ensino fundamental, está 23 pontos na frente. Na
simulação de segundo turno, entre eleitores independentes, Lula melhorou oito
pontos desde a última pesquisa.
O grande estrago para Flávio Bolsonaro foi o caso Master:
65% avaliam que o senador errou ao pedir financiamento a Vorcaro para o filme
sobre Jair
Bolsonaro. As conversas entre ambos despertaram suspeitas em 60% dos
entrevistados. Além disso, 58% acreditam que o senador pode estar escondendo
envolvimento ilegal no caso e 62% consideram que ele sabia do envolvimento de
banqueiro em corrupção. Definitivamente, o retrato é ruim para Flávio
Bolsonaro.

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