O governo de Miguel Arraes de Alencar (1963/1964), em
Pernambuco, ao lado de Seixas Dória, de Sergipe, foram os únicos a serem
imediatamente depostos pelo golpe civil-militar de 1964. Governou o Estado por
um ano, mesmo tempo em que ficou encarcerado na Ilha de Fernando de Noronha.
Ameaçado de nova prisão pela ditadura, teve de se exilar na
Argélia, onde permaneceu por 14 anos, regressando ao Brasil com a Lei de
Anistia de 1979. A partir das eleições gerais de 1982, foi eleito Deputado
Federal por várias legislaturas e novamente governador por dois mandatos. O
povo pernambucano lhe fez justiça, em seu retorno ás atividades políticas.
Pernambuco, em seu primeiro governo,
foi o estado mais democrático da Federação (1).
É que coincidiu com a extensão da legislação
trabalhista aos trabalhadores rurais pelo governo do Presidente João Goulart
(1961/1964).
Atraso de vinte anos, nos quais cerca de duzentos mil
trabalhadores das Usinas e Engenhos da Zona da Mata, em Pernambuco, não
auferiam nenhum direito, ao tempo em que fora criado o décimo-terceiro salário
e aprovada a Lei Orgânica da Previdência Social.
Acrescem a sindicalização rural, fundação de Sindicatos
rurais, uma Federação estadual e preço favorável do açúcar no mercado
internacional.
Também ao amparo do Estatuto do Trabalhador Rural - Lei
4.214, de 02/03/1963, aprovada pelo Congresso Nacional, foi feito o Acordo do
Campo, regulando o trabalho no meio rural, onde, secularmente, vigoravam
relações de produção pré-capitalistas.
Fonte de referência: Antonio Callado Repórter - Tempo de
Arraes e Vietnã do Norte - Ediouro Publicações S.A - 2005.
*Antonio Fausto de Nascimento, foi dirigente sindical,
bancário e secretário de Trabalho governo Arraes (1963-1964)

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