Se vencer, Flávio B. subirá a rampa com um subitamente
lépido Jair Bolsonaro sem soluços
Não será surpresa se, ao receber a faixa do antecessor,
ele disparar uma cusparada em Lula
Diante da hipotética possibilidade de Flávio
Bolsonaro vencer a eleição presidencial (afinal,
está concorrendo), vamos a um rápido e razoável exercício de adivinhação sobre
o que poderá acontecer. Na posse, como
já prometeu, ele subirá a rampa do Planalto de braço com seu pai, um
subitamente ágil e lépido Jair
Bolsonaro, sem soluços e com os movimentos peristálticos funcionando. Ao
receber a faixa das mãos de seu antecessor, não será surpresa se Flávio B.
retribuir esse gesto democrático com uma cusparada no rosto do ex-presidente.
Como seu primeiro ato será assinar a
anistia dos criminosos do 8/1,
a cerimônia será abrilhantada pelos oficiais condenados por tentativa de golpe
e assassinato de autoridades, adrede libertados das prisões onde cumpriam pena.
Ao seu lado, na foto oficial, Antônio
Cláudio Ferreira, destruidor do relógio de Dom João 6º, dona
Fátima de Tubarão, hidrófoba senhora que ia "pegar o Xandão",
e Fábio de Oliveira, que se sentou na cadeira do ministro
no STF. Com
os pés no assento do Rolls na carreata comemorativa, estará não apenas o
02 Carlos
Bolsonaro, repetindo sua façanha de 2019, como o 03 Eduardo Bolsonaro,
desembarcado em segredo naquela manhã.
O discurso de moderação desaparecerá assim que o novo
presidente destampar a caneta. Empossado, Flávio B. tirará do bolso o plano
urdido por seu pai para o segundo mandato que não houve: o de aferrolhar por
dentro as instituições —militares, jurídicas e policiais— e instituir a ditadura.
O Supremo sofrerá intervenção imediata, com a demissão dos
ministros independentes e sua substituição por sequazes invertebrados. A
maioria dos parlamentares, como é de tradição da categoria, se acoelhará à nova
ordem —isto se o Congresso não for fechado. Órgãos de comunicação, cultura e
ensino serão arrolhados pela censura ou asfixiados financeiramente. A Faria
Lima estourará champanhas e, dispensando intermediários, um dos seus comandará
a economia.
Metade do país aplaudirá essas medidas. Falta combinar com a
outra metade.

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