Único senador da Rede, Randolfe Rodrigues (AP) entrou em
rota de colisão com a maior liderança do partido, a ex-senadora Marina Silva
(AC), por causa do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Randolfe foi
repreendido por Marina após participar de um jantar na casa da senadora Kátia
Abreu (PMDB-TO), em maio, com o grupo de parlamentares que engrossa o movimento
contra o afastamento definitivo da petista.
O mal-estar entre os dois principais nomes do partido
começou quando Marina revelou publicamente sua irritação com a atuação de
Randolfe contra o impeachment. A Rede tinha decidido liberar as bancadas na
Câmara e no Senado para votarem de acordo com suas posições pessoais. Mas a
direção da legenda deixava claro que defendia a saída tanto de Dilma quanto do
vice Michel Temer, o presidente interino, e a realização de novas eleições
presidenciais. “A ida ao jantar com a bancada pró-Dilma e com a própria presidente
afastada extrapolou o que havia sido decidido e acordado na Rede”, disse um
assessor de Marina.
A direção da Rede lembra que entrou na Justiça eleitoral
pedindo a cassação das chapas Dilma-Temer e Aécio-Aloysio Nunes Ferreira (PSDB)
por crime na campanha de 2014. E que seus filiados e parlamentares não podem
aderir a outra tese política que não seja a realização de novas eleições
presidenciais ainda este ano. A ação da rede no TSE não tem previsão de ser
julgada.
Randolfe não vê problema em participar de articulações
públicas contra o impeachment, inclusive com a presença de Dilma. O senador tem
dado seguidas declarações sobre a falta de justificativa para o afastamento
definitivo da petista e reafirmou seu voto contra o impedimento na votação
final. Sobre o mal-estar criado na Rede por sua defesa de Dilma, Randolfe
lembra que Marina Silva decidiu apoiar o tucano Aécio Neves no segundo turno da
eleição presidencial de 2014 e não foi repreendida pelo partido, que defendia
outro programa de governo para o país, e não o do PSDB. “Ela apoiou Aécio e eu
agora não concordo com o impeachment da Dilma. Estamos quites”, disse Randolfe.
Ex-deputado estadual por dois mandatos pelo PT do Amapá,
Randolfe deixou o partido com a crise do mensalão, em 2005. Assim como o grupo
de deputados federais petistas que deixou a legenda de Dilma Rousseff e Lula,
Randolfe ajudou a fundar o Psol. Ficou uma década na nova legenda. No final de
2015 o senador decidiu fazer outra guinada à esquerda e decidiu se filiar à
Rede, legenda liderada pela também ex-petista Marina Silva. Agora, no meio do
julgamento do impeachment, Randolfe encara uma nova polêmica que terá
consequências nas eleições de 2018.

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