Mentor Neto, ISTOÉ
Meses depois do impeachment, Dilma andava muito acabrunhada.
Não comia, não dormia, não sorria.
O novo PT de José Eduardo Cardoso ignorava a presidente.
Dilma queria vomitar só de ver a nova estrela verde do
partido.
Apenas um amigo restou: um gerente dos tempos da Petrobras.
– Dil, você precisa sair dessa depressão…vai viajar, mulher!
– Oi? Você quer o que? Que eu entre nos EUA pela fila
de turistas?
– Então vai para um lugar tranquilo, onde ninguém reconheça
você.
– Vou como? Não tenho mais mamata na FAB. Só faltava ter que
comprar passagem no Decolar.com.
O amigo hesitava em oferecer seu Bombardier.
E se a mídia descobre que um gerentinho tem um jato?
Mas ao ver o estado da amiga, não se conteve:
– Tá. Vai com meu avião!
Dilma ergueu a cabeça lentamente e, pela primeira
vez em meses, esboçou um sorriso.
Os dois se puseram imediatamente a fazer planos.
Uma ilha no Caribe. Sozinha. Quinze dias.
É isso.
Corta.
Agora Dilma está numa espreguiçadeira.
Dia de sol caribenho. Praia. Céu azul.
Mambo nos falantes da piscina.
Um garçom de roupas coloridas entrega um coquetel florido
para a presidente que lê o mais recente livro de um famoso biógrafo: “Golpe!” –
e em letras menores – “Uma mulher nas trincheiras da história”.
Nos fones Chico canta os primeiros versos de “Joga Pedra na
Geni”.
A presidente levanta irritada.
Quem foi que montou esse cazzo de playlist?!
Decide caminhar pela praia vazia.
Um quilômetro depois, dá uma topada em algo enterrado na
areia.
É uma lâmpada.
Com a canga verde e amarela, esfrega o metal.
De dentro sai uma fumaça vermelha.
– Eu sabia! Eu sabia! Por trás de uma lâmpada tem sempre uma
figura oculta, que é um gênio dentro.
– Companheira, você me libertou, por isso vou lhe conceder
três desejos – diz o gênio, barbudo, com
voz rouca.
Dilma está descontrolada. Pula de um lado para outro. Grita
de excitação. Três pedidos!!! Três pedidos!!! Finalmente me dei bem!!!
– Vamo companheira. Decide logo aí que preciso tocar minhas
coisa.
Dilma se concentra.
– Hmmm…ai Deus…primeiro pedido [ri de nervoso]…
eu quero um livro de história do Brasil do futuro para ver o
que vão falar de mim.
Plim! O livro aparece em suas mãos.
Dilma folheia esperançosa. Mas sua expressão subitamente
muda, devastada.
– Oi? Como assim não foi golpe?! Estão todos loucos?
– Vai querida. Segundo pedido. Manda pau.
Mas Dilma não consegue se acalmar. Aos gritos,
deixa escapar:
– Ah, pelo amor de deus…era só o que me faltava! Malditos golpistas!
Morram! Morram todos!
Plim!
– Pronto, lindona. Congresso vaziozinho.
Dilma congela.
Como assim? Você não….sério que você fez isso?
Opa se fiz.
Mas meu Deus… isso nem foi um pedido, seu idiota!
Claro que foi. Vai se fazer de vítima agora? Seus pedidos
são ordens, filha. Vamos em frente. Terceiro e último pedido, por favor.
Dilma fecha os olhos.
– Terceiro…aí meu
Deus…concentra-concentra-concentra…hmmm…calma…eu quero…eu quero… [apertando as
têmporas] ah! Já sei! Quero ser querida! Quero ser adorada! Quero ser amada por
todo mundo!
Plim!
E o gênio transformou a presidente num pote
de Nutella.

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