Do UOL
O prefeito afastado de Montes Claros (MG) Ruy Muniz (PSB)
foi considerado foragido pela Polícia Civil de Minas Gerais nesta quinta-feira
(15). Muniz tornou-se conhecido em todo o país após ter sido citado como
"exemplo" para o país pela mulher, a deputada Raquel Muniz (PSD), 24
horas antes de ser preso em um hotel de Brasília, acusado de corrupção.
Posteriormente, ele foi afastado da prefeitura, mas lançou sua candidatura à
reeleição no município.
Por meio de nota, a assessoria do ex-prefeito disse que o advogado
do ex-prefeito "solicitou vistas ao processo, do qual ainda não teve
acesso". "No tempo certo os fatos serão devidamente esclarecidos. A
família deposita inteira confiança na Justiça e está certa de que a verdade
prevalecerá", diz a nota.
O ex-prefeito teve a sua prisão decretada pela
desembargadora do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) Márcia Milanez
nesta quarta-feira (14), acusado de fraudes na licitação de combustíveis
durante sua gestão. Essas fraudes, de acordo com as investigações do MP
(Ministério Público) de Minas Gerais, teria dado prejuízos milionários à
prefeitura de Montes Claros e de outros municípios do norte de Minas Gerais.
De acordo com a polícia, ele teria recebido informações da
decretação da prisão e fugido. Os policiais fizeram buscas em sua residência,
mas ele não foi encontrado. Outros funcionários da prefeitura também acusados
de participação foram presos.
Ainda de acordo com a polícia, ele teria sido orientado por
seus advogados para fugir, já que a partir deste sábado (17), pela legislação
eleitoral não poderia ser mais preso até o pleito.
Além da prisão, após a votação do impeachment na Câmara dos
Deputados, em 18 de abril, ele ficou preso em Montes Claros, e teve decretada a
prisão domiciliar. Na semana passada o STF (Supremo Tribunal Federal) expediu
mandados de busca e apreensão em sua casa, que foi feita pela PF (Polícia
Federal).
Dessa vez, o MP estadual acusa Muniz de fraudes na aquisição
de combustíveis envolvendo 19 prefeituras do interior de Minas Gerais. Foram
feitas prisões, buscas e apreensões de documentos nos municípios de Almenara,
Augusto de Lima, Bandeira, Bocaiúva, Bom Jesus do Galho, Botumirim,
Felixlândia, Frei Inocêncio, Gameleiras, Glaucilândia, Ipiaçu, Matipó, Minas
Novas, Santa Fé de Minas, São José da Lapa, São Lourenço, Tapira e Vespasiano,
além de Montes Claros.
Batizada de "Operação Catagêneses", a ação tem
como objetivo colher provas para instruir inquérito. Mais de 500 pessoas estão
envolvidas com a operação, entre eles, integrantes do MPE, Polícia Civil e
Receita Estadual. Catagênese é uma das quatro fases da formação do Petróleo.
Nessa etapa, ocorre o aumento da temperatura e da pressão.
O MP informou que havia dois tipos de fraudes. "Uma
delas consistia na duplicidade de abastecimento. Dessa forma, grande parte dos
abastecimentos pendentes na memória do software do "Emissor de Cupom
Fiscal" era descarregada no CNPJ da prefeitura. A duplicidade é
caracterizada uma vez pelo suposto consumidor, que não pedia o cupom fiscal de
abastecimento, e outra vez pela prefeitura, que tomava a mesma medida",
informo o MP.
"Na outra modalidade de fraude, mesmo quando o
comprador exigia o cupom fiscal, o frentista do posto cancelava a compra
posteriormente. Assim, o documento ficava como pendente no software vinculado
ao emissor do cupom.

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