Da ISTOÉ
Se Lula já andava um caco, com o ânimo em frangalhos e o
medo da cadeia colado à sua insônia, agora a coisa piorou ainda mais na
quarta-feira 31, quando Dilma Rousseff foi definitivamente derrotada no processo
do impeachment. Enquanto foi possível, ela tentou dar-lhe guarida, a ponto de
nomeá-lo ministro com a intenção de retirar seus inquéritos das mãos do juiz da
Lava Jato, Sergio Moro, e dar-lhe a prerrogativa de foro privilegiado. Tudo em
vão. O ex-presidente Lula, nesse momento em que ele não pode mais contar com a
proteção e a cobertura de sua pupila, é sabedor de que seu caminho inexorável é
a cadeia. Amargo, muito amargo presente, que às vezes o passado distante
parecia insinuar e o passado recente, recheado de crimes e ilicitudes, só fez
confirmar. Voltemos então um pouco no tempo…
Apaixonado por desenho a ponto de nenhum tampo de mesa de
bar ter saído incólume do grafite de sua lapiseira, o publicitário Carlito Maia
colocou a sua criatividade a serviço do PT sem nunca cobrar um centavo em
troca. E deu frases ao partido e a Lula que, olhadas com os olhos do presente,
parecem epifanias. “Meio bruxo na adivinhação do futuro”, como costumava
brincar, ele certa vez escreveu: “Brasil: Fraude explica”, numa referência ao
psicanalista Sigmund Freud. Nada mais atual, convenhamos, para setores
petistas. Também anotou que no dia em que Lula chegasse ao poder ele sairia do
partido. Muito estranho! Por que o abandonaria? Eternizou-se o mistério:
Carlito morreu cinco meses após Lula iniciar o seu primeiro mandato, em 2002,
com os brasileiros crendo que a ética em pessoa subira a rampa do Planalto.
Ledo engano. Lula esfarrapou os princípios éticos, morais e
republicanos. Acreditava-se em um Lula alimentado por democrática ideologia,
mas o poder revelou-nos um corrupto embalado no demagógico populismo. Não sem
motivo, portanto, martela-lhe a alma uma contagem regressiva à condição de réu
em diversos inquéritos que deverão virar processos (alguns já se tornaram), uma
contagem regressiva que move as suas pernas rumo à tornozeleira eletrônica e à
prisão – e, nessa caminhada, já houve até condução coercitiva por ordem do juiz
Moro. Todas as acusações podem ser resumidas em três crimes: corrupção,
falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Lula costuma dizer que sente
“coceira de voltar a ser presidente” cada vez que surge novo ilícito penal
envolvendo o seu nome, mas isso é pura bravata: é visível que seu semblante
tornou-se cada vez mais apreensivo e envelhecido, muito envelhecido. E não são
rugas de anciã sabedoria de 70 anos, são de medo mesmo. É o destino selado da
trajetória de alguém que migrou do chão firme da ideologia ao pântano da
corrupção. Lula não será a Fênix em 2018, Lula é a cinza definitiva da história
recente de nossa república. Agora é só bater a brisa da aguardada primavera
para dispersá-la de vez.
Ledo engano. Lula esfarrapou os princípios éticos, morais e
republicanos. Acreditava-se em um Lula alimentado por democrática ideologia,
mas o poder revelou-nos um corrupto embalado no demagógico populismo. Não sem
motivo, portanto, martela-lhe a alma uma contagem regressiva à condição de réu
em diversos inquéritos que deverão virar processos (alguns já se tornaram), uma
contagem regressiva que move as suas pernas rumo à tornozeleira eletrônica e à
prisão – e, nessa caminhada, já houve até condução coercitiva por ordem do juiz
Moro. Todas as acusações podem ser resumidas em três crimes: corrupção,
falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Lula costuma dizer que sente
“coceira de voltar a ser presidente” cada vez que surge novo ilícito penal
envolvendo o seu nome, mas isso é pura bravata: é visível que seu semblante
tornou-se cada vez mais apreensivo e envelhecido, muito envelhecido. E não são
rugas de anciã sabedoria de 70 anos, são de medo mesmo. É o destino selado da
trajetória de alguém que migrou do chão firme da ideologia ao pântano da
corrupção. Lula não será a Fênix em 2018, Lula é a cinza definitiva da história
recente de nossa república. Agora é só bater a brisa da aguardada primavera
para dispersá-la de vez.

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