Da ISTOÉ
Nos últimos dias, o QG do lulopetismo foi abatido. Não
bastassem as investigações da Lava Jato sobre os milionários e suspeitos
pagamentos por empreiteiros no Petrolão a Lula e a seu instituto, a Receita
Federal constatou “desvios de finalidade” na entidade e suspendeu a isenção
tributária a que ela tinha direito. Em outras palavras, a Receita descobriu que
o instituto não funcionava como um organismo de preservação da memória do
ex-presidente e de parte do acervo que pertencia ao País. Ficou comprovado que
a entidade era usada como uma verdadeira empresa de Lula. Por essa empresa, o
ex-presidente, segundo investigações da Lava Jato, estaria movimentando
recursos cuja origem estão em apuração. Mais do que retirar a isenção
tributária, a Receita multou o instituto em cerca de R$ 8 milhões (valor ainda
não definido, que pode chegar a R$ 12 milhões) . Afundada em denúncias de
corrupção, a organização, dirigida por Paulo Okamotto, é o semblante público do
lulismo e demonstra à perfeição os estertores do Partido dos Trabalhadores. Daqui
para frente, deve minguar e acabar. Depois da operação Lava Jato e das delações
feitas por empreiteiros presos, as palestras de Lula no exterior e as doações
de empresas, as duas maiores fontes de receita, secaram.
O dinheiro que preenche o caixa do Instituto Lula deverá
diminuir muito nos anos vindouros, porque as construtoras envolvidas com a Lava
Jato pagavam por boa parte das palestras do ex-presidente, além de fazerem
doações diretamente à entidade. Daqui para frente, a saída do PT do poder e a dificuldade
natural de continuar abastecendo o instituto com diretores atrás das grades
farão com que as carteiras das empreiteiras se fechem. E não eram poucos os
recursos que saíam delas. O Ministério Público Federal descobriu recentemente
que, de 2011 a 2014, mais da metade dos rendimentos da entidade, um total de R$
27,3 milhões, foi oriundo de companhias em dívida com a Justiça. Esses repasses
estão divididos em dois tipos, os donativos feitos diretamente ao órgão (R$
17,9 milhões, ou 60% dos rendimentos por doações) e os pagamentos pelas
palestras de Lula (R$ 9,4 milhões, ou 47% das conferências).
O instituto precisará explicar também se as tais palestras
foram de fato realizadas ou se eram apenas desculpas para o pagamento de
propinas. As investigações recaem principalmente sobre a empresa LILS Palestras
e Eventos, fundada em 2011 por Lula e Okamotto. A PF afirma que “pagamentos
vultosos” foram feitos por construtoras em favor do instituto e da LILS, em
troca de benefícios no esquema do Petrolão. Mas o dinheiro entrou por uma porta
e saiu pela outra. Ao mesmo tempo em que recebia das companhias, o instituto
fez repasses a empresas dos filhos do ex-presidente, num valor de pelo menos R$
1,8 milhões,
Serviços fictícios
Foram esses fatos que levaram à perda do benefício fiscal da
entidade, dois dias antes do impeachment de Dilma Rousseff. A Receita Federal
considerou irregulares os repasses milionários feitos às companhias de filhos
de Lula, e vai cobrar imposto de renda e contribuições sociais da organização,
além de multa. Segundo o fisco, os serviços prestados ao instituto foram
fictícios, sendo usados apenas para esconder a transferência de recursos para a
família do ex-presidente. Os auditores suspeitam que as transferências foram
feitas para lavar dinheiro do Petrolão. A Receita ainda vai apurar as entradas
dos anos de 2015 e 2016. Se é que o instituto vai sobreviver aos próximos
meses.
MUDANÇA DE NOME, OBJETIVO E FUNÇÃO
Como o Instituto Lula se transformou ao longo dos anos.
Início
Sob o nome de Governo Paralelo, é aberto em 1989, após
derrota de Lula para Fernando Collor. Na época, articulava propostas da
oposição.
Trabalhos
Depois do impeachment de Collor, em 1992, capitaneou debates
e caravanas pelo País, já com o nome de Instituto Cidadania, até 2010.
Recomeço
Em 2011, com o fim do mandato de Lula, foi rebatizado com o
nome do ex-presidente. Serviu como porta-voz e gestor de palestras.
Problemas
A Lava Jato começa a questionar atividades de 2011 para
frente. Suspeita é que mediu pagamentos de propinas do esquema do Petrolão.

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