O procurador geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao
Supremo Tribunal Federal pedido de abertura de inquérito para investigar o
deputado Pr Marco Feliciano (PSC-SP), por suspeita de agressão, assédio e
tentativa de estupro, confirmou nesta terça a assessoria do Ministério Público
Federal. O caso está em segredo de Justiça.
O pedido está
embasado na denúncia feita por grupo de parlamentares femininas da Câmara
Federal e em evidências entregues em relatório. Agora, o caso está nas mãos da
Polícia Federal, que começará a fazer as diligências.
A denúncia foi feita pela jornalista Patrícia Lélis, que
hoje teve seu pedido de prisão feito pela Polícia Civil de São Paulo. Ela é
investigada na jurisdição paulista por tentativa de extorsão e falsa
comunicação de crime. Na cidade, ela tentou negociar o seu silêncio com o
ex-chefe de gabinete de Feliciano, Talma Bauer. O caso, registrado no 3º DP,
foi encaminhado ao Fórum na última sexta-feira.
Em Brasília, em outra frente de investigação, a PF vai
apurar a denúncia de Patrícia. Ela diz que se encontrou com o deputado no
apartamento funcional dia 15 de junho, onde teria ocorrido a agressão. O
parlamentar nega que com ela tenha se encontrado, e diz que ela nunca pisou no
apartamento – além disso apresentou sua agenda externa naquele dia, sem
detalhar horários.
A PF terá a oportunidade de descobrir quem diz a verdade.
Experientes investigadores citaram à Coluna que é possível trabalhar em duas
frentes: basta rastrear os sinais de celulares da garota e do deputado no dia
do ocorrido; e periciar os aparelhos para comprovar se são verdadeiros os
prints de mensagens trocadas entre os dois – e usadas por Patrícia na sua
denúncia.
A Polícia Federal também vai cobrar da Polícia Legislativa
(DEPOL) da Câmara dos Deputados o backup dos vídeos da portaria e elevadores do
prédio onde reside o deputado em Brasília. Esse também foi um pedido da PGR. A
DEPOL informou à Coluna que não há mais os vídeos – que podem inocentar
Feliciano, ou comprovar que a mulher esteve no prédio.
A despeito dos rumos e das eventuais descobertas desta
investigação agora em Brasília, Feliciano não poderá ser indiciado por crime de
agressão e tentativa de estupro, porque não há provas – mesmo que eles
supostamente tenham se encontrado no apartamento. Patrícia não fez boletim de
ocorrência no dia da suposta agressão, nem exame de corpo de delito – o que
evidenciou que ela queria resolver seu lado financeiro, como ficou comprovado
com os episódios em SP.

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