Do UOL
Relator dos processos da Operação Lava Jato na Supremo
Tribunal Federal, Teori Zavascki tomou posse como integrante da mais alta corte
do país em 29 de novembro de 2012. Seu nome foi indicado dois meses antes pela
então presidente Dilma Rousseff para ocupar o vaga aberta pela saída de César
Pelluso.
Zavascki foi o terceiro ministro nomeado por Dilma Rousseff
para a Suprema Corte, depois de ministros Luiz Fux e Rosa Weber. O ministro
teve seu nome aprovado pelo plenário do Senado
com 57 votos favoráveis e 4 contrários. Ele havia sido indicado para o
cargo em 12 de setembro daquele ano.
Nascimento em Santa Catarina e formação
Teori na nasceu cidade catarinense de Faxinal dos Guedes no
dia 15 de agosto de 1948. Antes de ingressar no STF, Teori integrou o Superior
Tribunal de Justiça (STJ) desde maio de 2003, participando da Corte Especial,
do Conselho de Administração e da Comissão de Documentação. Foi eleito membro
efetivo do Conselho da Justiça Federal (CJF) em junho de 2011 e participou,
também, do Conselho da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de
Magistrados.
Teori Zavascki era membro do Poder Judiciário desde 1989,
quando foi nomeado para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (com
jurisdição no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná), onde exerceu a
presidência no biênio 2001-2003. O ministro formou-se bacharel em Ciências
Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS) desde 1972. Na mesma universidade, obteve os títulos de
mestre e doutor em direito processual civil.
Em 1980, Zavascki ingressou na carreira acadêmica como
professor concursado da disciplina de introdução ao estudo de direito, na
Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), de onde estava licenciado.
Foi professor de direito processual civil na Faculdade de Direito da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de junho de 1987 a junho de 2005,
quando assumiu a cátedra na Faculdade de Direito da UnB.
O ministro iniciou a trabalhar com advocacia em 1971, com
escritório estabelecido em Porto Alegre (RS). De dezembro de 1976 a março de
1989, foi advogado do Banco Central do Brasil, onde exerceu o cargo de
coordenador dos Serviços Jurídicos para o Rio Grande do Sul de outubro de 1979
a abril de 1986. Foi superintendente jurídico do Banco Meridional do Brasil
S.A., no período de abril de 1986 a março de 1989.
Lava Jato e Eduardo Cunha
Teori era relator dos processos da Lava Jato desde março de
2015, quando o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao STF uma
lista com 47 nomes de políticos, que possuíam foro privilegiado, suspeitos de
envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.
Um ano depois, o ministro virou alvo de manifestações em
frente à sua própria casa em Porto Alegre, por causa de uma decisão no processo
da Lava Jato. O ministro foi chamado de "pelego do PT" após pedir ao
juiz Sergio Moro que enviasse ao STF as investigações que envolvessem o
ex-presidente Lula na Lava Jato. A decisão foi tomada após Moro divulgar
diálogos telefônicos de Lula, entre eles uma conversa com a então presidente
Dilma Roussef.
Em 5 maio de 2016,
após a Câmara aprovar a abertura do processo de impeachment de Dilma,
Teori determinou o afastamento do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
do mandato de deputado federal.
À época, o ministro afirmou que Cunha não tinha condições de
exercer a Presidência da Câmara diante dos indícios de que pode atrapalhar as
investigações contra ele por suposto envolvimento na Lava Jato e também de que
sua manutenção fere a imagem da Casa.
"Os elementos fáticos e jurídicos aqui considerados
denunciam que a permanência do requerido, o deputado federal Eduardo Cunha, no
livre exercício de seu mandato parlamentar e à frente da função de Presidente
da Câmara dos Deputados, além de representar risco para as investigações penais
sediadas neste Supremo Tribunal Federal, é um pejorativo que conspira contra a
própria dignidade da instituição por ele liderada. Nada, absolutamente nada, se
pode extrair da Constituição que possa, minimamente, justificar a sua
permanência no exercício dessas elevadas funções públicas", diz trecho da
decisão.
Delações de 77 executivos da Odebrecht
Tido como compenetrado, e pouco avesso aos holofotes, o
ministro era o responsável por homologar os acordos de delação premiada da Lava
Jato, a exemplo do que foi celebrado com o ex-senado Delcídio do Amaral (então
no PT, atualmente sem partido).
Avesso a entrevistas, Teori convocou jornalistas no final de
dezembro de 2016 para rebater críticas de que havia lentidão no andamento da
Lava Jato. "Eu tenho em torno de cem inquéritos sobre matéria penal no meu
gabinete. E não tenho nada atrasado. Depende muito mais do MP e da polícia do
que dos juízes", afirmou.
Era responsabilidade do ministro homologar o acordo delação
premiada celebrado pelo Ministério Público Federal com 77 executivos da
Odebrecht, a chamada "Delação do Fim do Mundo". Todo o material
chegou ao gabinete do ministro, no último dia 19 de dezembro.
Estavam previstos para a próxima semana, as audiências com
os delatores da empreiteira para que fosse ratificados os depoimentos dados ao
Ministério Público Federal.

Nenhum comentário:
Postar um comentário