Um novo recurso do governo Geraldo Alckmin (PSDB) para
suspender veto judicial ao aumento da integração entre trilhos e ônibus foi
indeferido nesta quarta-feira (18).
No último dia 10, o presidente do Tribunal de Justiça, Paulo
Dimas, já havia mantido decisão de primeira instância que suspende o aumento da
tarifa da integração dos ônibus, de responsabilidade do município, e metrô ou
CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), a cargo do Estado. Com isso,
Alckmin reverteu reajuste de 14,8% na integração, acima da inflação prevista de
6,4%.
A decisão de aumentar a integração foi uma saída achada
pelas equipes do governo e da prefeitura para cumprir promessa de João Doria de
congelar a tarifa do sistema municipal. Alckmin resolveu seguir o afilhado
político em relação à tarifa básica de R$ 3,80, mas reajustou outras
modalidades em busca de equilíbrio financeiro.
A equipe de Alckmin afirmou, em novo recurso, que barrar o
reajuste é interferência da Justiça em assunto do governo, o que afeta a
separação entre os poderes. Além disso, o veto ao aumento traz prejuízo aos
cofres estaduais.
O relator responsável pela nova decisão, Spoladore
Dominguez, afirma que falta na argumentação do Estado documento que especifique
o prejuízo aos cofres estaduais. Por isso, intima o governo a detalhar o
assunto.
A Secretaria dos Transportes Metropolitanos afirmou que vai
recorrer da decisão.
AUMENTO
Em recurso à Justiça, o governo Alckmin afirmou que o custo
dos bilhetes unitários -de metrô e trens da CPTM- poderia ser elevado de R$
3,80 para aproximadamente R$ 4,05 caso o reajuste da tarifa de integração fosse
suspenso.
"Em prol de se manter o percentual de desconto
concedido aos usuários da integração nos patamares anteriormente adotados,
todos os usuários do sistema, inclusive aqueles que não são beneficiados por
tais subsídios, serão prejudicados", diz o documento, assinado pela
Procuradoria do Estado.
Não são poucos, no entanto, os passageiros beneficiados
pelos bilhetes de integração em São Paulo. Segundo dados da SPTrans, cerca de
47 milhões de viagens são feitas por mês usando ônibus e metrô ou ônibus e
trem.
De acordo com a Secretaria dos Transportes Metropolitanos,
quase 20% das viagens de metrô são feitas com o benefício da integração,
percentual que é de 15% na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
No momento de anunciar a manutenção do bilhete unitário em R$ 3,80, porém, o
governo paulista ignorou esses números e reforçou a importância dos passageiros
únicos.

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