O senador Renan
Calheiros (MDB-AL) reagiu mal à derrota na disputa à presidência
do Senado. Em comentário publicado na noite desse domingo (3), Renan fez
ataque, de natureza sexual, contra a jornalista Dora Kramer, colunista da
revista Veja, e o pai da senadora Simone Tebet(MDB-MS),
uma das articuladoras da vitória
de Davi Alcolumbre (DEM-AP).
Chamado por Dora de arrogante no artigo em que a colunista
analisava o resultado da eleição no Senado, Renan escreveu em sua conta no
Twitter que já foi assediado sexualmente pela jornalista. "A Dora Kramer
(Veja) acha que sou arrogante. Não sou. Sou casado e por isso sempre fugi do
seu assédio. Ora, seu marido era meu assessor, e preferi encorajar Geddel e
Ramez, que chegou a colocar um membro mecânico para namorá-la. Não foi
presunção. Foi fidelidade."
Resposta nas redes
O senador se refere ao ex-deputado preso Geddel Vieira Lima
(MDB-BA) e ao ex-presidente do Senado Ramez Tebet (MDB-MS), falecido em 2006.
Filha de Ramez, Simone se aliou a Alcolumbre após ter sido preterida por Renan,
em votação da bancada do MDB, na disputa à presidência da Casa. Após o
comentário repercutir negativamente nas redes sociais, o senador alagoano
apagou a mensagem. Mesmo assim, a #RenanCassado está entre os assuntos mais comentados
do Twitter. Até o momento, porém, nenhum senador manifestou intenção de entrar
com representação contra o senador.
A jornalista recebeu centenas de manifestações de
solidariedade nas redes. Dora agradeceu o apoio e disse que o senador mostrava,
com seu comentário, quem de fato é. "Amigos, agradeço demais as
manifestações, mas quero dizer que me abalo zero com essa coisa do Twitter. Não
vou responder porque o que ele diz fala por ele", escreveu a colunista no
Facebook.
Jornalistas também saíram em defesa de Dora Kramer.
"Seu post, senador, dá a real dimensão do seu caráter. Ou da falta
dele", respondeu Ricardo Noblat, também de Veja. A colunista
Cora Ronai, do Globo, foi outra que condenou o ataque: "Renan,
o Canalha, revela-se no ressentimento: acaba de postar o tuíte mais machista,
asqueroso e repulsivo da política brasileira em todos os tempos, o que não é
dizer pouco".
Pensão paga por lobista
Apesar das juras de fidelidade no casamento, Renan foi
apeado da presidência do Senado em 2007 depois de ter sido acusado de
direcionar emenda parlamentar em favor da empreiteira Mendes Junior. Em troca,
segundo a denúncia, o lobista da empresa pagava a pensão alimentícia devida
pelo senador a uma filha que teve em relação extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso.
Na época, o emedebista teve a cassação recomendada pelo
Conselho de Ética, mas foi absolvido em plenário em votação secreta. Embora
tenha preservado o mandato, ele teve de abrir mão da presidência da Casa, cargo
que voltou a ocupar posteriormente por outros dois biênios.
Derrota histórica
No último sábado (2), Renan sofreu sua maior derrota
eleitoral. A derrota começou a se desenhar na sexta, depois que o plenário, em
sessão tumultuada, resolveu abrir a votação para presidente do Senado. A
decisão foi revertida a pedido de Renan e aliados do MDB na madrugada pelo
ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou
que o voto fosse secreto.
De maneira estratégica, os senadores que se opunham ao
emedebista decidiram, então, abrir as cédulas para mostrar em quem estavam
votando. Ao perceber que seria derrotado, Renan retirou sua candidatura,
alegando que havia irregularidades e atropelos no processo eleitoral.
Atualmente Renan responde a uma dezena de investigações no
Supremo. Ele é um dos principais alvos da Operação Lava Jato em liberdade. Por
esse histórico, vários senadores já haviam confidenciado ao emedebista que
teriam dificuldade de votar nele caso a votação fosse aberta. Ao abandonar o
plenário no sábado, o emedebista admitiu que esperava ter quatro votos do PSDB,
por exemplo, se o partido não tivesse orientado seus representantes a mostrarem
o papel de votação.


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