O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, perdeu mais
uma chance de ficar calado. Em entrevista à revista “Veja”, ele chamou os
brasileiros de “canibais” e descreveu os contribuintes que pagam o seu salário
como ladrões.
“O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisa dos hotéis,
rouba o assento salva-vidas do avião, ele acha que pode sair de casa e carregar
tudo”, disse.
Vélez nasceu na Colômbia e fala português com sotaque. Ao
tratar os brasileiros como bárbaros, insultou o país que lhe ofereceu
passaporte e cidadania.
O professor também deu aula de desinformação. Atacou Cazuza,
morto em 1990, por algo que ele nunca disse. A frase “Liberdade é passar a mão
na bunda do guarda”, que Vélez atribuiu ao cantor, foi popularizada pelos
humoristas do Casseta & Planeta.
O ministro ainda atacou a cineasta Carla Camurati por não
ter retratado dom João VI como “um grande herói” em “Carlota Joaquina”. O filme
é uma comédia, não um documentário. Reuniu um elenco estrelado e impulsionou a
retomada do cinema brasileiro, que Vélez também parece desprezar.
Mais adiante, ele defendeu a volta das aulas de moral e
cívica, impostas pela ditadura militar. A patriotada não vai tirar o Brasil da
lanterna dos rankings internacionais de educação. Quem estuda o assunto sabe
que os alunos precisam de reforço em disciplinas mais importantes, como
matemática e ciências.
O besteirol de Vélez não se limita aos chavões reacionários.
Em outra entrevista recente, ele disse ao “Valor Econômico” que as universidades
“devem ficar reservadas para uma elite intelectual”.
De acordo com o IBGE, os brasileiros com ensino superior
ganham 2,5 vezes mais do que os que têm apenas o ensino médio. A taxa de
desemprego entre os diplomados é a metade da média nacional. Além de
excludente, a tese do ministro é antieconômica.
Em 2007, o rei Juan Carlos silenciou Hugo Chávez com uma
pergunta famosa: “Por qué no te callas?”. Vélez é fã da monarquia. Agora que
virou ministro, deveria se aconselhar com o ex-soberano espanhol.

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