A briga no PSL e a revelação, por meio de reportagem da
revista Crusoé, de uma conexão entre o Palácio do Planalto e uma rede de
blogueiros e youtubers, alguns dos quais com cargos em gabinetes no Executivo e
no Legislativo, para destruir reputações e até derrubar ministros viraram
combustível para a CPI das Fake News. E o olavo-bolsonarismo está em polvorosa.
Flagrado em conversas para queimar o então ministro Carlos
Alberto Santos Cruz por meio de sites amigos, o assessor especial da
Presidência Filipe Martins acusou o golpe e sentenciou no Twitter, diante da
possibilidade de ser convocado pela CPI: “Vamos pro pau!”.
Não é de hoje que o discípulo de Olavo e Steve Bannon usa as
redes sociais para convocar uma espécie de cruzada da nova direita contra o
establishment, assim entendido difusamente como qualquer instituição ou
indivíduo que ouse divergir do presidente.
Agora, flagrado articulando a partir do palácio para abater
inimigos – no caso de Santos Cruz, um que se opunha ao aparelhamento de órgãos,
agências e ministérios por olavistas e ao uso de verbas de publicidade para
aquinhoar amigos do rei –, acusa a CPI das Fake News de ser uma tentativa de
cerceamento à liberdade de expressão.
O fato é que a cisma no PSL ajudou a expor a divisão
profunda da direita.
Vejamos o que já está na praça:
1. Denúncia de “rachadinha” no gabinete do deputado estadual
por São Paulo Gil Diniz, preposto da família Bolsonaro, ex-assessor de Eduardo
e preferido do clã para a disputa da prefeitura da capital, no lugar da líder
do governo no Congresso, Joice Hasselmann;
2. Acusado pelo senador Major Olímpio, Eduardo Bolsonaro
revida insinuando que pode ter ajudado a abafar tentativas de convocação de seu
suplente, Alexandre Giordano, para explicar possíveis negócios de lobby em
Itaipu. Trata-se de mais um disparate, porque a acusação é de ligação do
empresário paulista justamente com a família Bolsonaro.
3. Ameaça de expulsão do PSL de vários deputados ligados ao
clã Bolsonaro, e
4. Os inquéritos em várias seções que investigam o uso de
candidaturas laranjas de mulheres para distribuição do fundo eleitoral.
Portanto, será a briga interna na direita que vai causar
mais problemas para o bolsonarismo que a desarticulada e sempre reativa
oposição. Isso na CPI das Fake News e fora dela.
Câmara tem pouca chance de vencer ‘corrida’ com STF
É mais um sinal de desarticulação política a tentativa de a Câmara travar uma corrida com o Supremo Tribunal Federal (STF), a partir da Comissão de Constituição e Justiça, para tentar, em cima da hora, votar uma proposta de emenda à Constituição que estabeleça de uma vez por todas a prisão após condenação em segunda instância.
É mais um sinal de desarticulação política a tentativa de a Câmara travar uma corrida com o Supremo Tribunal Federal (STF), a partir da Comissão de Constituição e Justiça, para tentar, em cima da hora, votar uma proposta de emenda à Constituição que estabeleça de uma vez por todas a prisão após condenação em segunda instância.
Isso porque o STF deverá concluir o julgamento da Ações
Declaratórias de Constitucionalidade sobre o tema na semana que vem. E também
porque não há evidência nenhuma de que exista maioria para se aprovar uma PEC
com esse teor, pelo fato de muitos parlamentares serem já investigados ou
temerem se tornar alvos de ações no futuro.
Diante disso, a bola está mesmo, e de novo, com o Supremo.
Mais especificamente com Rosa Weber. Resta saber se ela, depois de avaliar, há
um ano e poucos meses, que era cedo para se rever uma jurisprudência e causar
rebuliço processual e jurídico, acha que agora já está na hora.

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