Congresso e governo definem nos próximos dias quanto será
sacado dos cofres públicos para financiar candidatos a prefeito e vereador em
outubro do ano que vem.
Trama-se o escândalo nacional de tirar mais de R$ 2 bilhões
da merenda das criancinhas para colocar na mão de uma súcia de vigaristas. Esse
é o enredo contado e repetido, o que indica que bilionário também é o
palavrório fiado em torno do tema.
A não ser que concordemos que a “transformação que o Brasil
quer” não se dará pelas vias democráticas, é preciso saber que a democracia tem
um custo, e ele não é pequeno.
Sinto desapontar o patriota da camisa verde e amarela, mas,
mesmo que não houvesse fundão, esses R$ 2 bilhões possivelmente não iriam para
a merenda das criancinhas. Poderiam ir pra qualquer coisa –incluindo o custeio
da logística para Jair Bolsonaro acompanhar in loco as rodadas do Brasileirão–
ou apenas para a redução do déficit fiscal.
Parece impossível a algumas mentes aparvalhadas entender que
a correta aplicação de R$ 2 bilhões no financiamento das eleições –repito, a
correta aplicação– trará muito mais benefícios às criancinhas. Uma democracia
consolidada e inquestionável é melhor do que qualquer ideia surgida da
parolagem autoritária e simplória do anti-tudo-isso-aí.
Registre-se que alguns execram o fundão, mas omitem
malandramente o fato de que a carteira recheada e o autofinanciamento sem
limite lhes darão léguas de vantagem. O dinheiro empresarial, proibido, irrigou
a corrupção. As doações de pessoas físicas ainda são uma quimera.
É preciso, certamente, alterar a absurda regra de
distribuição do fundo eleitoral. Não é admissível que dirigentes partidários
controlem qual candidato será beneficiado e com quanto. Isso não pode mais ser
alterado para 2020. Que o Congresso crie vergonha e aprove um modelo realmente
democrático para 2022 –caso contrário, continuará jogando lenha na fogueira dos
que veem a democracia e a política como a causa de todos os nossos problemas.

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