Faltam seis meses para os Jogos Olímpicos de Tóquio e, até
hoje, o Brasil ainda não conseguiu encerrar a Rio-2016. Pior: ninguém sabe
quanto exatamente custou ou vai custar. Estimam-se gastos de R$ 44 bilhões. A
conta final, porém, talvez ainda leve anos para aparecer.
Ela depende da conclusão de uma série de ações judiciais,
das obras de infraestrutura inacabadas e de pelo menos mil e um reparos
considerados essenciais para que as estruturas na Barra da Tijuca não desabem,
não sejam alagadas ou incendiadas.
Nesse legado carioca tem-se a síntese de uma antiga história
de amor urbano por grandes obras que unem políticos, empreiteiros e
especuladores imobiliários. No epílogo, predomina o caos no Rio pós-olímpico.
Entre responsáveis destacam-se o PT, o PMDB, o PCdoB e o PRB
(atual Republicanos). Juntaram-se para injetar 80% dos recursos públicos num
bairro, a Barra da Tijuca, onde vivem apenas 5% da população.
Alguns enriqueceram, como o ex-governador Sérgio Cabral.
Empreiteiras e empresas de ônibus lucraram dançando quadrilha à direita, ao
centro e à esquerda. Especuladores imobiliários embolsaram cerca de R$ 4
bilhões em negócios no eixo Barra-Recreio. E a burocracia partidária ampliou empregos
bem remunerados na miríade de órgãos estatais.
No jardim das ilusões olímpicas, parcerias público-privadas
foram anunciadas como responsáveis por 60% dos gastos totais. Empresas privadas
bancariam quase metade do orçamento do legado olímpico. Chegariam a 80% dos
investimentos no prodígio de marketing político-imobiliário do Porto Maravilha.
Restou um túmulo financeiro à beira-mar, onde está enterrado
um tesouro em papéis da Caixa e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS). Mas a morte nem sempre é o fim, e a história prossegue na briga pelo
espólio estatal.
O governo Bolsonaro acaba de se juntar à
confusão com o recém-criado Escritório de Governança do Legado Olímpico. Ele
substitui a extinta Autoridade Olímpica, com 15 antigos oficiais militares a
bordo. Por decreto, o Escritório fecha as portas em junho do ano que vem, antes
da abertura dos Jogos de Tóquio. A Rio-2016 vai continuar.

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