A mais longa campanha presidencial já havida no país entra
em seu segundo ano em plena efervescência. Sim, porque o próprio presidente
Bolsonaro inaugurou uma nova maneira de lutar pela reeleição, assim como já
havia, com sucesso, criado uma de vencer eleição presidencial sem partido, sem
dinheiro, sem base política.
Semelhante a ele só Fernando Collor em 1989, com uma
diferença gritante: Collor saiu de governador de Alagoas para a campanha
presidencial, também sem partido, e base política, mas com dinheiro e conexões
sociais nos grandes grupos empresariais dos principais centros urbano, como Rio
e São Paulo.
Sobretudo com uma exposição pública pelos factoides que
criou como caçador de marajás e adversário dos usineiros, representantes
regionais dos privilegiados Brasil afora. A farsa que se descobriu depois é da
mesma categoria da que vai sendo descoberta em relação a Bolsonaro.
Este teve a seu favor a exposição nos novos meios digitais,
entendeu a nova fase das campanhas assim como Collor foi o primeiro a fazer do
programa eleitoral gratuito um espaço de criações tecnológicas inéditas naquele
tipo de mídia.
Os dois governaram sem apoio congressual, mas Collor levou
mais tempo a entender que não podia prescindir dele. Quando entendeu, já era
tarde demais. Dilma cometeu o mesmo erro. Bolsonaro está sendo mais sagaz que
seus antecessores que se deram mal, mas tem mais sorte também.
Este Congresso é o mais reformista já eleito nos últimos
anos, e tem em Rodrigo Maia um presidente versado em economia, o que lhe permite
entender a importância das reformas e dá condições de discutir com a equipe de
Paulo Guedes sobre o melhor encaminhamento das discussões.
Pelo menos enquanto não organiza seu futuro partido, o
presidente Bolsonaro vai deixando que Maia e talvez Davi Alcolumbre, presidente
do Senado, sejam protagonistas das ações políticas. Até quando, não se sabe.
Talvez o enfrentamento para valer aconteça se Bolsonaro conseguir formar uma
base de apoio com base no Aliança pelo Brasil que lhe dê controle de uma maioria
relativa maioria da Câmara. Quem sabe até mesmo elegendo um presidente de sua
total confiança, na sucessão de Maia.
O Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) voltaram das
férias com as pautas para o primeiro semestre praticamente definidas. O presidente
da Câmara, Rodrigo Maia, que é quem determina o ritmo das discussões, estipulou
que a reforma tributária é a prioridade, e garantiu a sua aprovação ainda no
primeiro semestre, o que será um fato político muito bom com efeito relevante
na economia.
As outras reformas devem ficar para o próximo ano, pois o
segundo semestre será de campanha para as eleições municipais. No STF, uma das
discussões importantes será a do juiz de garantias. O ministro Fux, relator da
matéria, é contra, mas é minoria, e deve apresentar seu voto logo para ser
colocado em discussão no plenário. Outro assunto importante será a votação
sobre se a condenação por júri popular precisa do trânsito em julgado para ser
cumprida.
A maioria parece já estar formada a favor do cumprimento imediato
da pena, diante da definição constitucional de que as decisões do júri são
soberanas.Tudo indica que os recursos continuarão sendo possíveis, mas com o
condenado na cadeia, como aconteceria se à prisão em segunda instância ainda
fosse permitida.
Essa agenda politica e judicial dominará os debates no
primeiro semestre, e depois será engolida pela campanha municipal que dará
indicações sobre a presidencial que virá em seguida. Bolsonaro, evitando
expor-se, não está muito preocupado em criar seu novo partido a ponto de
disputar as eleições municipais. Parece convencido de que depois poderá
arrebanhar os vencedores nos municípios sem se arriscar a perder.
O apresentador de televisão e ativista social Luciano Huck
prossegue na tarefa de formar novos líderes políticos para atuarem nos diversos
entes federativos. Assim como na eleição para deputado federal e estadual em
2018 seu grupo RenovarBR elegeu 17 candidatos, espalhados por 22 partidos,
desta vez se infiltrará nos municípios brasileiros, preparando uma base para a
disputa presidencial, provavelmente pelo Cidadania.
Já outro potencial candidato, o ministro da Justiça e
Segurança Pública, Sergio Moro, não se mete em política partidária, e negou que
tenha intenção de assinar ficha de inscrição no partido de Bolsonaro. Enquanto
isso, a Oposição patina.

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