Fica tudo igual. Foi o que disse o chefe da Casa Civil, Onyx
Lorenzoni, ao sair do Alvorada no sábado. Balançando no cargo depois da
demissão do número 2 Vicente Santini — por razoes que foram além do uso
irregular de um jato da FAB — ele se referia à própria situação. Não é só a
sobrevida de Onyx na Casa Civil que deixa tudo igual — ou um pouco pior. O
governo Bolsonaro continua à deriva no Congresso neste segundo ano legislativo.
Jair Bolsonaro está perdendo mais uma vez o timing para
fazer mudanças ministeriais que poderiam melhorar e eficiência do governo e
formar uma base política mínima que lhe assegurasse alguma tranquilidade. Além
de Onyx, até segunda ordem continuam nos cargos personagens como Abraham
Weintraub, responsável pelos erros na correção do Enem, e Ricardo Salles, que
perdeu toda e qualquer interlocução nacional e internacional sobre as questões
do meio ambiente.
Um governo de pernas-de-pau que tivessem algum tipo de apoio
político e ajudassem na articulação para aprovar projetos no Congresso ainda se
entenderia. Só que não. Bolsonaro continua sem articulação e praticamente sem
articulador, num isolamento político maior do que o de um ano atrás.
O resultado disso é que, embora o governo vá enviar
propostas de reforma administrativa e tributária ao Congresso — ao menos
prometeu —, o andamento dessas pautas está inteiramente nas mãos do Congresso.
Rodrigo Maia manda na Câmara e decidirá o que e quando será votado. Para sorte
de Paulo Guedes, ele e o deputado pensam parecido em relação a boa parte dos
itens da agenda econômica. Mas as reformas sairão do jeito que deputados e
senadores quiserem.
No Senado, as três PECs do ajuste fiscal tramitam — até
porque seu presidente, Davi Alcolumbre, tem tido boa vontade com o Planalto.
Mas dificilmente serão votadas na forma como chegaram ao Congresso. Vão sofrer
mudanças substanciais.
Nesse estado de coisas, o Planalto vai perder sua linha de
defesa na explosiva CPI das FakeNews. Com o racha do PSL, a ala
antibolsonarista do ex-partido do presidente deve retirar da comissão o filho
Eduardo e outros deputados fiéis a ele.
Outra medida do baixo poder de fogo do Planalto no Congresso
neste início de 2020 serão sa medidas provisórias que vão caducar. O
Legislativo sequer tomou conhecimento de algumas delas, como a que cria a
carteirinha nacional de estudante e a que desobriga a administração pública a
fazer publicações na imprensa escrita.
Não vai ser um ano politicamente fácil para Bolsonaro.

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