Caso não seja apenas mais um arroubo retórico de Jair
Bolsonaro seguido de recuo, o anúncio presidencial de incorporar o PPI
(Programa de Parcerias de Investimentos) ao ministério de Paulo Guedes
(Economia) será mais uma medida a expandir o latifúndio administrativo a cargo
do superministro.
No ano passado, a fusão das pastas da Fazenda, do
Planejamento, do Desenvolvimento e do Trabalho foi promovida com o argumento de
dar coerência às ações da nova e ultraliberal equipe econômica. O que seu viu,
por meses, foi a dificuldade de por em funcionamento uma máquina de proporções
gigantescas e com tentáculos mui diversos.
Na reforma agrária ora em curso, o presidente desidrata a já
esquálida Casa Civil para tirar poderes e tornar insustentável a permanência de
Onyx Lorenzoni à frente do órgão —há uma semana, Bolsonaro impingiu ao
ministro-herói Sergio Moro mesmo tipo de fritura, mas a reação contrária das
redes à manobra do presidente garantiu blindagem ao ex-juiz da Lava Jato.
A prosperar a migração do PPI para a Economia, Guedes sai
fortalecido e concretiza o que planejara na transição de governo, quando tentou
absorver o plano de concessões. Uma das possibilidades em estudo é abrigar o
programa na secretaria de Salim Mattar (Desestatização), aquele que seria o grande
promotor das privatizações federais, mas que pouco entregou até agora.
Em 2019, nenhuma das estatais de porte foi privatizada —nem
Correios, nem Eletrobras, nem Casa da Moeda— e menos de R$ 100 bilhões foram
embolsados com a venda de alguns ativos de empresas públicas. Para explicar o
fracasso, entre as justificativas de Salim está o próprio organograma
ministerial, com o PPI alojado na Casa Civil de Onyx. Problema superado, Guedes
ganhará autonomia para tocar o plano de concessões e privatizações no seu
ritmo.
Sob a megalomania do superministro, o INSS voltou —como há
muito não se via— a submeter os segurados à tortura das filas de espera.

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