Um fantasma rondava o Brasil no final de 2018. A eleição de
Jair Bolsonaro e a vitória da onda conservadora também na escolha dos novos
deputados federais e senadores representavam uma perspectiva de anos sombrios
nos tapetes verdes e azuis do Congresso Nacional.
O Escola sem Partido, por exemplo, despontava com força
aparentemente irresistível a sugerir uma era em que o “Deus acima de todos”
seria mais do que uma mera retórica de palanque.
O ano de 2019 no Legislativo teve a economia como
prioridade. A depender dos sinais dados nesta segunda-feira (3) na solenidade
de retomada dos trabalhos do Congresso, 2020 irá pelo mesmo caminho.
Jair Bolsonaro não terá, tão cedo, se é que terá algum dia,
espaço para emplacar no Congresso e no Judiciário a sua chamada “agenda de
costumes”, que mobilizou sua campanha e ainda pauta aliados no Executivo e, é
claro, nas redes sociais.
É o que se depreende da mensagem de 2020 enviada por ele aos
parlamentares. O texto de introdução é recheado de autoelogios e de promessas
totalmente desconectadas da realidade. Tais como a de que o viés ideológico
deixou de existir na política externa. Ou de que o governo trabalha pela
educação de qualidade, pela redução da pobreza, da desigualdade e pela
sustentabilidade ambiental, tudo isso já resultando em um país mais fraterno.
Noves fora o palavrório à napoleão de hospício, o foco
continua na área econômica —reforma tributária e outras propostas—, sem uma
única menção ao Escola sem Partido e aos demais componentes da pauta
obscurantista do bolsonarismo raiz. Menos do que um sinal de que o presidente
abandonou seus ideiais de campanha, o texto representa mais a consciência de
que não houve guarida a essa maçaroca no Congresso e no Judiciário, em 2019, e,
pelo menos no futuro próximo, parece que assim continuará a ser.
Não sem razão o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ),
procurou frisar, em sua fala, a salvaguarda “inflexível, firme e vigilante” das
garantias fundamentais da Constituição de 1988.

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