“Quem com ferro fere, com ferro será ferido”, uma citação
bíblica tornada ditado popular, tão ao gosto do presidente Bolsonaro, pode
explicar o que está acontecendo na disputa pelas redes sociais, fundamentais na
estratégia política do presidente Bolsonaro, ou melhor, de seu filho 02, o
vereador especialista digital Carlos Bolsonaro.
De tanto apanharem nas redes sociais da milícia digital dos
Bolsonaro, comandados pelo “gabinete do ódio” que funciona dentro do Palácio do
Planalto, ministros e políticos em geral resolveram montar seus próprios
esquemas digitais para se contraporem à ação dos bolsonaristas.
Quando querem “fritar” algum ministro, eles começam pelas
redes sociais, geralmente comandados pelo guru Olavo de Carvalho. Foi assim que
caíram os ministros Gustavo Bebianno e Santos Cruz, que costuma chamar de
“gangue digital” os seguidores de Bolsonaro que atuam nas redes sociais como
verdadeiras milícias.
A ponto de terem criado mensagens fakes onde o então
ministro criticava o presidente no WhattsApp. Santos Cruz provou que era uma
montagem, mas já era tarde. O falecido Bebianno também caiu, depois de uma
fritura intensa, por causa de uma discussão no WhattsApp.
O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, depois de quase
ter sido demitido pelo presidente no início da semana, ganhou cerca 100 mil
seguidores no Twitter, Facebook e Instagram em um só dia, segundo dados da
Bites Consultoria especializada nesse acompanhamento digital.
Na quarta-feira, Mandetta participou de uma “live” da
cantora sertaneja Marília Mendonça que chegou a ter mais de 3,2 milhões de
visualizações ao mesmo tempo. No sábado anterior, atraindo a fúria do
presidente Bolsonaro, Mandetta havia aparecido também na “live” de Jorge e
Mateus, que teve 3,1 milhões.
No dia seguinte, Bolsonaro deu a declaração de que muitos
ministros estão virando estrelas, e que o dia deles iria chegar. A mesma
empresa Bites mostra que o número de tuítes em defesa do ministro chegou a
quase 500 mil, enquanto os ataques nas redes sociais a ele foram compartilhados
apenas 81 mil vezes.
O ministro Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, entrou
no início do ano no Instagram, e hoje tem mais de 1 milhão de seguidores. No
Twitter, ele ultrapassou 2 milhões de assinantes.“São instrumentos para
divulgar as ações do Ministério da Justiça e da Segurança Pública e para colher
opiniões a esse respeito”, alega, mas de fato as redes sociais têm servido de
pára-raios em meio às crises.
Quando Bolsonaro foi a um ato contra o Congresso e o Supremo
Tribunal Federal em frente ao Palácio do Planalto, em meio à pandemia do
coronavírus, o número de opositores do presidente nas redes sociais superou o
de apoiadores. Segundo a mesma consultoria Bites, 1,4 milhão de perfis do
Twitter atacaram o presidente, enquanto 1,2 milhão o defendeu, em pesquisa
realizada entre 15 e 26 de março.
Nesse período, o presidente intensificou críticas aos
governadores, especialmente aos do Rio, Wilson Witzel e o de São Paulo João
Dória. Em contraposição a Bolsonaro a partir da defesa do isolamento social, os
governadores se fortaleceram nas redes sociais, aponta o levantamento.
A popularidade virtual dos governadores João Doria
(PSDB-SP), Wilzon Witzel (PSC-RJ) aumentou, mesmo que Bolsonaro continue
disparado no Índice de Popularidade Digital da consultoria Quaest, que agrega
informações do Twitter, Facebook, Instagram e, mais recentemente, também
analisa YouTube, Google Trends e acessos a Wikipedia.
Em março, Bolsonaro caiu de 83,1 para 69,1 (o IPD varia de 0
a 100) – queda de 16,8%. Mesmo em patamar abaixo do presidente, os governadores
tiveram altas importantes: Doria cresceu 66,1% e Witzel, 39,6%. A posição dos
governadores trouxe também vantagens na popularidade digital para os
governadores do Maranhão, Flavio Dino, do Pará Helder Barbalho, Comandante
Moisés de Santa Catarina, Camilo Santana. Do Ceará, entre outros. De vários partidos,
mas unidos em torno do isolamento horizontal.
Segundo a consultoria Bites, o mais importante não é uma
eventual queda do presidente Bolsonaro nas redes sociais, mas o crescimento de
uma onda oposicionista sem liderança no universo digital, especialmente no
Twitter.

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