Chamado de
“macaco”, deputado denuncia crime de racismo
O deputado
federal Valmir
Assunção (PT-BA) foi vítima de crime de racismo, difamação e
ofensa a figura pública nesta sexta-feira Santa (10) em áudio gravado por uma
comerciante bolsonarista do município de Itamaraju, sua terra natal, no extremo
sul da Bahia. Na gravação, que circula em um grupo de WhatsApp, o parlamentar
itamarajuense é chamado de “macaco”, “ridículo”, “horroroso”, “vagabundo” e
“nariz de chapoca”, termos reconhecidamente utilizados como ofensas racistas.
Além disso, o
deputado federal é alvo dos crimes de difamação e ofensa a figura pública em
trecho dos áudios no qual o comerciante afirma que ele “só levou dois motéis
para a cidade” usando de “laranjas” e, segundo palavras dela, não levou nenhum
outro benefício para o município. “Me aponte alguma coisa que esse macaco
trouxe para Itamaraju”, repete a comerciante no áudio, que já circula também em
formato de vídeo em correntes de WhatsApp que viralizaram.
As agressões
racistas e difamatórias aconteceram após Valmir divulgar vídeo nas suas redes
sociais defendendo a proposta do governador Rui Costa (PT) de
instalar 20 leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) para tratar
pacientes infectados pelo covid-19 em
Itamaraju – o que, de acordo com a afirmação da comerciante nos áudios
publicados por ela, seria responsável por “levar o coronavírus” para a cidade.
A posição contrária
aos leitos também é encampada pelo atual prefeito de Itamaraju, Marcelo
Angênica (PSDB), de acordo com o deputado Valmir Assunção, que repudiou os
crimes dos quais foi vítima e acionou imediatamente a Secretaria da Segurança
Pública do Estado da Bahia (SSP-BA) para apurar o caso. O deputado petista
disse que a situação é grave e que não recuará diante das atrocidades que foi
obrigado a ouvir.
“Não posso me
abster de denunciar isso, pois sei que o país ainda possui em sua sociedade
pessoas racistas e desinformadas. O fato de eu ser negro é motivo de orgulho. A
ignorância das pessoas diante desse processo histórico só dificulta a atuação
política em Itamaraju e em outras regiões da Bahia e do Brasil. Vou até o fim
para que essa pessoa seja punida devidamente dentro da lei”, aponta Valmir
Assunção.
A defesa do
parlamentar baiano usará como base para a denúncia a Lei nº 7716/89, que define
os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor e que prevê pena de até
cinco anos de reclusão para os crimes de racismo praticados no país. “Eu
lamento que isso ainda aconteça em nossa sociedade. Mas não podemos deixar isso
passar. Não podemos ser cúmplices de crimes como esse. Ainda mais em um momento
tão delicado que vivemos”, afirmou Valmir.
“Ser contrário a
tudo que os órgãos de saúde federal, estadual e mundial pregam é uma coisa, mas
colocar apoiadores da gestão municipal para cometer racismo extrapola o limite
de razoabilidade. Não vamos abaixar a cabeça, vamos defender as vidas,
principalmente do povo
pobre, nesse momento”, completou o deputado.

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