Assim que o público tomou ciência da gravidade da pandemia
de Covid-19, uma corrida por máscaras respiratórias deflagrou compreensível
reação de autoridades médicas desaconselhando o uso por pessoas sem
sintomas. Chegou
o momento de revisar tal orientação.
O propósito era saudável: evitar desabastecimento que
pusesse em risco o acesso dos que mais necessitam desses equipamentos de
proteção individual. Ainda hoje a
Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que pessoas saudáveis só usem
máscaras se estiverem espirrando, tossindo ou cuidando de doentes.
Médicos e enfermeiros a lidar com pacientes infectados são
os mais vulneráveis a contrair a doença pela exposição contínua. Devem ter prioridade,
por óbvio, no acesso aos recursos de proteção.
Entretanto houve algum equívoco em disseminar, como
justificativa para a recomendação de não usar máscaras, a noção de que elas
seriam pouco eficazes. Com efeito, dispositivos mais simples, de tipo cirúrgico,
não são de todo eficientes na filtragem de partículas virais, sobretudo quando
envergados por pessoas não habituadas.
Com o avanço da pandemia veio a firmar-se a convicção de que
as altas taxas de infecção têm a ver com a transmissão do vírus por portadores
assintomáticos. Mesmo que a pessoa não espirre, pode haver ejeção do agente
infeccioso pela respiração e sua deposição sobre superfícies.
Não é tanto para evitar a inspiração de vírus no ar que as
máscaras têm mais serventia, mas para diminuir a veiculação de gotículas
diminutas contendo o CoV-2 expelidas por contaminados sem sintomas.
O dispositivo não elimina a necessidade imperiosa do
isolamento social e da higiene das mãos, mas seu uso por grande contingente da
população traria um reforço na luta contra a Covid-19.
O disseminado emprego de máscaras na Ásia, uma herança da
pandemia de gripe H1N1 em 2009, parece estar associado ao relativo sucesso no
controle do coronavírus em países da região.
Está longe de ser o fator principal, condição reservada à
aplicação maciça de testes diagnósticos, ao rastreamento de infectados e à
eficiência do confinamento, mas é provável que tenha contribuído.
Mal não fará recomendar o uso generalizado de máscaras,
inclusive as de origem caseira, desde que com orientação precisa sobre a
proteção limitada que oferecem.

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