Morava nos pântanos alagados da Barra da Tijuca uma das
maiores ameaças de Tropicalópolis.
Essa mente malfeitora começou provocando danos isolados,
como planejar explodir quartéis e ser um deputado insignificante. Mas os
tropicalenses, impulsionados por um conservadorismo liberal sem sentido, o
alçaram ao posto de presidente.
O que não poderia ficar pior ficou. A chegada de um vírus
letal vindo da China transformou o ordinário ex-capitão em um dos
maiores vilões já vistos, não só em Tropicalópolis, mas em todo o planeta
Terra. Pelos grandes jornais, recebeu a alcunha de Capitão Corona.
Sem o carisma de Lex Luthor, tão incompetente quanto o
Esqueleto, de “He-Man”, e mais imaturo que o Capitão Feio da “Turma da Mônica”,
Capitão Corona sofre do mesmo narcisismo dos piores vilões.
Assim como a Rainha Má de “Branca de Neve”, ele se olha no
espelho diariamente, se perguntando: “Existe alguém que manda mais do que eu?”.
A resposta é sempre sim.
Como um flautista de Hamelin, esse mentecapto consegue
hipnotizar hordas de seguidores com as ideias mais estapafúrdias. Ele já
convenceu multidões a fazer jejum pelo fim da epidemia e que o coronavírus é
uma arma chinesa para implantar o comunismo no mundo.
Direto do Gabinete do Ódio, seus filhos, versões do Robin do
mal, disparam fake news e ofensas a desafetos. Até seu aliado, o ministro da
Saúde, responsável por combater a epidemia, foi linchado por seus robôs
digitais.
Outro superpoder é o da transformação. Ao seu lado, João Doria se
torna um grande estadista, e Donald Trump se
parece com Winston Churchill. Até o Capitão Daciolo vira uma opção viável perto
do Capitão Corona.
Essa mente do mal também sabe criar situações cômicas
involuntárias, como quando usou teleprompter para um pronunciamento sobre a epidemia.
Sua performance robótica fez a rainha
Elizabeth, nos seus quase 94 anos, parecer William Bonner ao fazer o mesmo.
Elizabeth, nos seus quase 94 anos, parecer William Bonner ao fazer o mesmo.
Mas, como todo vilão, o Capitão Corona tem um ponto fraco: a
burrice. Foi só ele ouvir as palavras “ciência”, “disciplina” e “planejamento”,
que apareceu com cara de criança que teve seu pirulito sabor cloroquina
roubado. Depois se retirou, repetindo mentalmente o mantra dos mais patéticos
vilões: “Eu voltarei”.
Flávia Boggio
Roteirista e autora do núcleo de humor da Globo

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