Qual o segredo do
sucesso da Alemanha no manejo da Covid-19? São vários. O mais óbvio deles é
matemático. Por testar muito mais que outros países, os números teutônicos
estão um pouco menos distantes dos reais.
Se você só testar
cadáveres, terá 100% de letalidade; se testar apenas casos graves, essa cifra
cai um pouco, chegando a índices como o italiano (12%), o britânico e o
espanhol (10%). Mas, se testar de forma mais indiscriminada (o que também
facilita identificar precocemente as cadeias de transmissão e desfazê-las), as
taxas caem para menos de 2%, como é o caso da Alemanha e da Coreia do Sul, dois
países duramente atingidos e que já passaram pelo primeiro pico epidêmico.
Isso, porém, é só
parte da história. A Alemanha não se sai melhor apenas por apresentar números
menos distorcidos. Ela também conseguiu achatar a curva exponencial, evitando
sobrecarga sobre seu sistema de saúde, que já era bom e foi reforçado. Médicos
alemães, ao contrário de italianos, não tiveram de decidir entre quem iria ou
não para o ventilador, o que significa que salvaram proporcionalmente mais
pacientes críticos que os colegas da Lombardia.
Um aspecto menos
comentado do sucesso dos alemães é que, mesmo em condições normais, eles já
vivem em maior isolamento social que os italianos (e ao menos outros seis povos
europeus). Num interessante trabalho de 2008, com o objetivo de reunir dados
comportamentais para a modelagem de infecções respiratórias, Joël Mossong e
colaboradores monitoraram os contatos sociais de 7.290 participantes de oito
países europeus. Enquanto os italianos apresentaram média de 19,77 interações
diárias (a maior das oito nações), os alemães mantiveram apenas 7,95 (a menor).
Pode haver algo de
verdade no clichê de que povos latinos são calorosos e efusivos enquanto os
germânicos são frios e distantes. Não é uma constatação de muito bom augúrio
para nós brasileiros.

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