Não há mais qualquer possibilidade de comportamento
civilizado diante de uma pandemia mortal quando é o próprio presidente da
República quem veta o uso obrigatório de máscaras de proteção em comércios,
igrejas e escolas. Foi o que fez Jair Bolsonaro nesta manhã, quando o Diário
Oficial publicou os vetos ao projeto aprovado no mês passado tornando obrigatório,
como é em boa parte do mundo, o uso de máscaras.
Bolsonaro
e a polêmica das máscaras. (Essa está pelo avesso)
Só que nem tanto. O presidente manteve a obrigatoriedade
do uso de máscaras em vias públicas, transporte coletivo e espaços
públicos ou privados acessíveis ao público, mas cortou todo o trecho que citava
as igrejas, escolas, estabelecimento comerciais e industriais. A alegação é de
que, ao citar “demais locais fechados em que haja reunião de pessoas”, o texto
é vago demais e poderia representar uma “violação de domicílio”
Liberou o uso de máscaras?
Com base nessa firula, que dificilmente seria questionada judicialmente,
Jair Bolsonaro elimina o último baluarte de proteção coletiva contra a
Covid-19. O presidente, que já dá péssimo exemplo ao não usar máscara em seus
passeios e em aglomerações que promove – inclusive dentro do Planalto -, agora
chancela o mau comportamento nas escolas, lojas, igrejas, etc. Liberou geral, e
um dia Bolsonaro terá que explicar por que aos contaminados e às famílias dos
que se contaminarem e não resistirem.
O Congresso pode – e deve – derrubar esse veto presidencial,
mas quanto tempo levará para isso? Até lá, quantos brasileiros terão ido às
compras sem máscara e adoecido neste momento em que os números do crescimento
do coronavírus teimam em não se adaptar à irresponsabilidade de governadores e
prefeitos que suspendem as medidas de isolamento?
As imagens das aglomerações na reabertura dos bares do Leblon são um exemplo claro do comportamento bárbaro que começa a se espalhar pelo país – e que recebe do presidente da República seu mais importante estímulo.

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