MPF pede afastamento
de Ricardo Salles por improbidade
O Ministério Público Federal (MPF) pediu o afastamento do
ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles,
nesta segunda-feira (6). A justificativa dos procuradores é de que há uma
“desestruturação dolosa” das políticas ambientais e de órgãos ligados à pasta.
Ainda de acordo com o MPF, Salles tem a intenção de desmantelar a proteção
ambiental no país.
Para os procuradores, Salles incorre no ato de improbidade
administrativa. O processo correrá na 1ª Instância da Justiça Federal, em
Brasília. A ação é movida por procuradores do Distrito Federal e por
integrantes da Força-tarefa Amazônia do MPF.
Segundo o pedido, Salles cometeu diversas ações que
prejudicam o meio ambiente e os atos estão agrupados em quatro categorias:
desestruturação normativa; desestruturação dos órgãos de transparência e
participação; desestruturação orçamentária e desestruturação fiscalizatória.
A ação traz ainda um pedido de
afastamento cautelar de Salles. Ou seja,os procuradores querem que
o pedido seja atendido pela Justiça antes mesmo do julgamento do mérito do
caso. Para eles, a permanência de Salles na pasta pode trazer consequências
irreparáveis para o meio ambiente.
Para o MPF, Ricardo Salles promoveu a desestruturação de
políticas ambientais e o esvaziamento de preceitos legais para favorecer
interesses que não têm qualquer relação com a finalidade da pasta que ocupa. “É
possível identificar, nas medidas adotadas, o alinhamento a um conjunto de atos
que atendem, sem qualquer justificativa, a uma lógica totalmente contrária ao
dever estatal de implementação dos direitos ambientais, o que se faz bastante
explícito, por exemplo, na exoneração de servidores logo após uma fiscalização
ambiental bem sucedida em um dos pontos críticos do desmatamento na Amazônia
Legal”, diz a ação judicial.
Ainda de acordo com o MP, com Salles no comando da pasta, o
país teve, no mesmo ano das maiores altas do desmatamento, o menor número de
multas por crimes ambientais em 20 anos. "Ele também foi responsável por
reduzir em 25% o orçamento do meio ambiente e por paralisar o Fundo Amazônia,
deixando de receber investimentos vultuosos que poderiam estar sendo utilizados
para ações de preservação da floresta".
Histórico
Na reunião ministerial do dia 22 de abril, Salles sugeriu
que o governo aproveitasse a pandemia de covid-19 para "passar a
boiada" em decisões que envolviam a pasta do Meio Ambiente.
Na semana passada, o ministro Luís
Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou
audiência pública para os dias 21 e 22 de setembro para que integrantes do
governo, entidades de proteção ambiental, especialistas e outros interessados
discutam o quadro do meio ambiente no Brasil.
Além disso, representantes da sociedade civil ligados à defesa do meio ambiente encaminharam à Câmara dos Deputados um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro alegando crime de responsabilidade socioambiental. O documento assinado por mais de 50 pessoas aponta que no contexto do meio ambiente, o presidente vem, deliberadamente, por inúmeras condutas, afrontando “este que é um valor irrecuperável de máxima proteção constitucional, e direito fundamental das atuais e futuras gerações, consoante o que determina a Constituição Federal em seu art. 225.”

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