Sergio Moro está em campanha. Fora do governo, o ex-ministro
busca um novo figurino para se manter na arena política. Fala como candidato,
ainda que não admita com todas as letras que concorrerá ao Planalto.
No domingo, o ex-juiz ofereceu uma prévia de seu discurso
eleitoral. Em entrevista à GloboNews, ele investiu na estratégia de comparar
Jair Bolsonaro ao PT. Acusou o presidente de negar a pandemia e o petismo de
negar os escândalos de corrupção.
No vale dos insensatos, Moro despontaria como o cavaleiro da
racionalidade e da moderação. O tempo vai dizer se cola. Em 2018, Geraldo
Alckmin apostou na retórica dos dois extremos e terminou em quarto, com 4,7%
dos votos.
Sem partido, o ex-ministro guarda alguns trunfos. Tem um fã
clube particular, não carrega o desgaste do PSDB e ainda pode contar com os
louros da Lava-Jato. No entanto, é difícil saber como estará a imagem da
operação em 2022.
Na semana passada, descobriu-se mais um truque da
força-tarefa de Curitiba. Os procuradores esconderam os sobrenomes dos
presidente da Câmara e do Senado em uma denúncia. O objetivo era driblar o
Supremo Tribunal Federal e manter o caso na primeira instância.
Em outra frente, a Agência Pública revelou indícios de
ilegalidade numa tabelinha da Lava-Jato com o FBI. O procurador Deltan
Dallagnol disse que os contatos com a PF americana foram “legítimos” e
“lícitos”.
Na entrevista à GloboNews, Moro cometeu um ato falho.
Descreveu a audiência mais famosa da operação como “um ringue com o Lula”. A
metáfora sugere que ele e o ex-presidente se enfrentaram como dois pugilistas.
Faltou dizer que ele acumulava o papel de juiz.
Ao comentar o cenário eleitoral, o ex-ministro se referiu a
João Doria, Luciano Huck e Luiz Henrique Mandetta como “bons nomes”. “São
políticos de centro-direita, né? Eu tenho mais afinidade com essa visão”,
disse. “Mas ninguém sabe como vai ser 2022, quem vai ser candidato e quem não
vai ser”, acrescentou.
Questionado se estará no páreo, ele tentou desconversar: “O que posso assegurar apenas é que eu pretendo continuar no debate público”.

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