Sucesso do governo no Congresso depende de Lula, seu
pragmatismo e sua popularidade
A relação do Planalto com o Congresso está diretamente
vinculada à popularidade e à capacidade do presidente Lula de sair do fundo do
poço e recuperar o fôlego, principalmente na economia, na gestão e na imagem.
Disso dependem a pauta do governo nas várias áreas e uma questão delicada,
fundamental nas eleições de 2026: a anistia para os condenados pelo 8 de
Janeiro e, de quebra, Jair Bolsonaro.
Se tudo está atrelado à economia, inclusive a popularidade
de Lula, como conceber um ministro da Fazenda “fraco”, que perdeu a guerra
interna para o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e é ameaçado o tempo todo pelo
velho populismo e a coceira intervencionista do PT? Lula depende do governo,
que depende de uma economia azeitada, que depende de equilíbrio fiscal, que
depende de um ministro da Fazenda forte. Ou todos vão se estatelar.
Parênteses: Fernando Haddad e Rui Costa
batem de frente quanto a arcabouço fiscal, corte de gastos, intervenção em
preços, relação com o mercado, ceder ou não à tentação populista. Mas, se
brigam por tudo, estão unidos contra a eventual chegada de Gleisi Hoffmann ao
Planalto, que tende a trazer as posições do PT para o coração do poder e se
meter, sem o menor constrangimento, na economia e na gestão do governo. Agora,
pertinho dos ouvidos sensíveis do presidente.
Lula e Haddad entraram em 2025 sob desconfiança e críticas
de Congresso, mercado, boa parte da mídia e em especial das redes sociais, por
mudanças mal explicadas do Pix, volta atrás, inflação de alimentos, o difícil
equilíbrio entre política e economia nos preços de combustíveis, derrota para a
dengue, aprovação menor que a desaprovação... E as ameaças de Donald Trump no
ar.
O Congresso segue os humores da sociedade e é suscetível à
percepção de que o governo está sem marca e sem rumo e que, como disse Gilberto
Kassab, Lula perderia se a eleição fosse hoje e Haddad é “fraco”, o que projeta
dificuldades com Câmara e Senado, independentemente dos novos presidentes, Hugo
Motta e Davi Alcolumbre. Além de atentos aos ventos “de fora”, eles também são
aos “de dentro” – do próprio Congresso.
Logo, a bola está com Lula. Ele ganhou um respiro com o
desemprego de 2024 no menor índice da série histórica, queda dos preços dos
alimentos no atacado pela primeira vez em dez meses, o dólar abaixo de R$ 6 (só
não se sabe até quando) e a nova Quaest, em que ele bate todos os potenciais
adversários de 2026 – uma boa resposta para Kassab. Porém, uma explicação é que
Lula não tem substituto na esquerda, enquanto a oposição tem uma profusão de
nomes. E se, ou quando, a direita se unir?

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