O deputado federal Eduardo
Bolsonaro (PL-SP)
transformou-se em inimigo do Brasil. Perdido no labirinto de seus delírios, ele
faz de tudo para defender a própria família e não se importa de mandar às favas
os interesses nacionais.
Em seu horizonte desponta um único propósito: livrar o pai
da cadeia. Como se sabe, tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) o processo em
que Jair
Bolsonaro (PL) responde por tentativa de golpe contra as instituições
democráticas, entre outros crimes.
Eduardo não demonstra pudores nesse mister. Tal qual um
bufão aos pés de trono estrangeiro, adula o presidente Donald Trump e,
alheio aos abusos cometidos contra sua própria pátria, comemorou o tarifaço de
50% que o americano prometeu impor ao Brasil se o Supremo não arquivasse o
julgamento de Bolsonaro.
Após tal chantagem, que revela ignorância quanto à separação
de Poderes que fundamenta as democracias modernas, o republicano decretou taxação
de 50% sobre apenas parte das exportações brasileiras nesta quarta
(30).
Um tarifaço pleno ameaçaria bem mais a economia do Brasil,
já que 9.500 empresas enviam produtos para os Estados
Unidos e 30 setores direcionam para lá pelo menos um quarto de suas
exportações —as quais, no ano passado, montaram a US$ 20,3 bilhões.
São Paulo,
estado que Eduardo deveria representar se honrasse seu mandato, sofreria de
forma especial. O governador Tarcísio
de Freitas (Republicanos)
estimou impacto que poderia variar de 0,3% a 2,7% do PIB, com 44 mil a 120 mil
empregos a menos.
Tarcísio, que a princípio hesitou diante da inaceitável
chantagem de Trump, passou a procurar maneiras de atenuar os prejuízos. Outros
governadores, como Ratinho Junior (PSD), do Paraná, também adotaram iniciativas
nesse sentido —e, por óbvio, não fizeram mais que a obrigação.
E o que fez Eduardo? Disparou
críticas contra eles, como se tentar proteger a população brasileira
constituísse um defeito, não uma qualidade. Logo se vê que o deputado fugitivo
inverteu a escala de valores e não consegue mais distinguir o certo do errado.
Nesse mundo de ilusões, ele considerou apropriado, por
exemplo, misturar bravata com retórica miliciana para dizer que Hugo Motta (Republicanos-PB)
e Davi
Alcolumbre (União-AP), respectivamente presidentes da Câmara
dos Deputados e do Senado, podem
sofrer sanções americanas se não agirem em prol de Jair Bolsonaro.
Para piorar, disse que atuará contra a comitiva de senadores
que foi aos EUA com a missão de conter a taxação de produtos brasileiros.
"Eu trabalho para que eles não encontrem diálogo", afirmou em
entrevista ao SBT News.
De todo modo, a sombra do tarifaço já afetou diversos
setores. Uma crise tão complexa nunca tem um único culpado, mas ninguém
está mais associado a ela do que Eduardo Bolsonaro —cuja estratégia
delirante, como se evidencia a cada dia, mais atrapalha do que ajuda seu pai.

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