São Paulo deu milhões de votos a Bolsonaro, Tarcísio e
Eduardo. Agora, eles estão lhe dando o troco
No dia 7 de outubro de 2018, 1,8 milhão de paulistas saíram
de casa para eleger Eduardo
Bolsonaro para a Câmara
dos Deputados. Foi a maior votação para deputado federal na história. Pelos
quatro anos seguintes, sua atuação por São Paulo em
Brasília não deve ter agradado muito —os Bolsonaros tendem a cuidar mais de si
do que de seus eleitores—, porque, em 2022, ele foi reeleito, mas seus votantes
caíram para (ainda invejáveis) 741 mil.
No dia 30 de outubro de 2022, 13,8 milhões
de paulistas também deixaram seus lares para eleger Tarcísio
de Freitas governador de São Paulo. Foram votos de confiança, já que
ele nunca exercera uma função política —sua carreira limitara-se a altos cargos
em Brasília, com prestações de contas duvidosas por compras irregulares e obras
inacabadas. Sua estreia em São Paulo foi em 2021, na garupa de Jair
Bolsonaro em vibrantes motociatas pelo estado, o que convenceu
Bolsonaro a escalá-lo como seu candidato a governador.
No dia 28 de outubro de 2018, 15,3 milhões de paulistas
foram às urnas —por acaso, eletrônicas— para, com o resto do país, ajudar a
fazer de Bolsonaro presidente da República. Ele venceu Fernando Haddad em 631
das 645 cidades de São Paulo. Em 2022, mesmo perdendo nacionalmente para Lula,
Bolsonaro conquistou 615 das mesmas 645 cidades, com o apoio de 12, 2 milhões
de paulistas.
Em troca disso tudo, em fevereiro último, Eduardo Bolsonaro
foi para os EUA e fixou residência no galinheiro da Casa Branca, abandonando
seus 741 mil eleitores. Sua campanha junto a Donald Trump para
livrar seu pai da cadeia por tentativa de golpe de estado induziu Trump a
decretar o tarifaço de 50% nos produtos exportados pelo Brasil. Tarcísio de
Freitas, fã de Trump e apesar de a maioria dos atingidos pela medida estar
entre seus governados, foi para cima do muro.
O próprio Bolsonaro não quer saber se sua liberdade custará
a quebradeira de empresários seus amigos e o desemprego de milhares de pessoas
que acreditaram nele. É o que ele entende por gratidão.

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