Não à toa, o debate sobre as mudanças climáticas estão na
pauta mundial e chegam ao país, por meio da COP30
A riqueza do patrimônio ambiental do Brasil é invejável.
Mas, ao longo dos anos, tem sido explorada de modo equivocado, com perdas
expressivas e prejudiciais à vida humana, à cobertura vegetal, à fauna e à
economia nacional. Isso sem contar o impacto nos regimes climáticos. Em 2024,
um quarto do território nacional foi destruído pelo fogo, uma área equivalente
à soma dos estados do Pará e do Mato Grosso. Segundo a primeira edição
do Relatório Anual do Fogo, do MapBiomas, 30 milhões de hectares foram
afetados, ou seja, 62% acima da média histórica, iniciada em 1985, de 18,5
milhões de hectares por ano.
Em julho do ano passado, o presidente Lula sancionou a
Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Lei nº 14.944/2024), que em 31
de julho completa um ano. A proposta, construída no governo de Michel Temer,
permaneceu adormecida nos escaninhos do Congresso e mostrou-se evidente diante
dos incêndios florestais de grandes proporções ocorridos no ano passado, a pior
temporada de queimadas em sete décadas.
A política de manejo do fogo tem relação com o aumento do
número de brigadistas florestais que atuam com orientação do Corpo de Bombeiros
neste ano. Em maio último, por meio da Portaria nº 60, o Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) autorizou o Centro Nacional de
Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) a contratar 2.227
brigadistas para atuarem em 17 unidades da Federação, onde as queimadas são
mais recorrentes. Esse quantitativo deverá ser elevado por meio de iniciativas
dos governos estaduais, a fim de conter tragédias semelhantes às do ano
passado.
Diferentemente de 2024, no primeiro semestre de 2025, foi
registrada uma queda de 65,8% nas áreas queimadas na comparação com igual
período do ano passado. Entre janeiro e junho, foi queimado 1 milhão de
hectares, contra os 3,1 milhões em igual período de 2024, segundo o Ministério
do Meio Ambiente e Mudanças do Clima (MMA), com base nos dados do Laboratório
de Aplicações de Satélites Ambiental (Lasa) da Universidade Federal do Rio de
Janeiro.
O Pantanal Mato-Grossense foi um dos mais afetados pelo
fogo, em 2024, com a perda de 93% da vegetação nativa, sobretudo as formações
campestres e campos alagados. Em algumas partes, os incêndios se repetiram. No
total, foram queimados mais de 100 mil hectares, o que representou um aumento
de 157% de área afetada pelo fogo. Nos primeiros seis meses deste ano, houve
uma queda de 97,9% das queimadas.
Como sempre, a Amazônia e o Cerrado seguem como alvo
predileto dos incendiários. A maior floresta tropical do planeta teve cerca de
15,6 milhões de hectares destruídos pelo fogo, em 2024, o que equivale a 117% a
mais do que média histórica. Mas não só isso, o relatório do MapBiomas revela
que ocorreu uma inversão nas queimadas entre as florestas e as áreas de
pastagem. Dessa vez, o fogo atingiu 6,7 milhões de hectares (43% do bioma) de
florestas, e 5,2 milhões (33,7%) de hectares de pastagem, fugindo do modelo
recorrente. O Cerrado teve 10,6 milhões de hectares queimados no ano passado,
um aumento de 10% em comparação com a média histórica de 9,6 milhões de
hectares/ano.
Não bastam recursos financeiros para fortalecer e capacitar
brigadistas no manejo do fogo e no combate dos incêndios nas florestas. A
política de manejo do fogo tem de ser cumprida como determina a lei. Não à toa,
o debate sobre as mudanças climáticas estão na pauta mundial e chegam ao país,
por meio da COP30. Evitar o avanço do aquecimento do planeta é responsabilidade
humana para estender a vida do planeta e de todos os seres que nele habitam.

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